Título: Recuo de preços agrícolas provoca deflação de 0,15% no varejo em SP
Autor: Raquel Salgado
Fonte: Valor Econômico, 28/06/2005, Brasil, p. A2

A inflação no varejo na cidade de São Paulo ficou negativa em 0,15% na terceira quadrissemana de junho, a menor taxa desde a terceira medição de julho de 2003, quando atingiu -0,28%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), não apresentava deflação desde agosto de 2003. O tombo dos preços de produtos agrícolas foi o principal motivo para a forte desaceleração da inflação. Refletindo o movimento iniciado no atacado, os alimentos foram de menos 0,24%, na medição anterior, para menos 1,14% agora. Dentre as 20 maiores quedas de preços apontadas pela Fipe, 19 são itens agrícolas. Paulo Picchetti, coordenador da entidade, lembra que sem o efeito dessas deflações o IPC ficaria em 0,31%. Esse percentual está bem próximo do núcleo do indicador - 0,28% - e, segundo o economista, reflete de forma mais fiel a inflação, pois minimiza a volatilidade dos alimentos. Para Picchetti, "muita gente olha para esse número (a deflação de 0,15%) e acha que a política monetária errou na dose, exagerou e agora os preços estão caindo demais. Mas isso não tem a ver com política monetária, tem a ver com maior oferta de produtos, o que acaba por camuflar o que realmente seria a inflação". Nos outros meses deste ano, a situação era contrária. A pouca oferta de alguns itens agrícolas e o reajuste da tarifa de ônibus em São Paulo elevaram os preços ao consumidor. O recuo dos preços de alimentos também afetou a cesta de produtos industrializados calculada pela Fipe. Na terceira quadrissemana do mês, esse indicador recuou para 0,22%, após ficar em 0,56% na medição anterior. O único item dentro de alimentação que não está em queda é a refeição fora do domicílio, que subiu 0,82%. O menor preço do vestuário, com taxa de 0,02%, também contribuiu para o bom comportamento dos industrializados. Já o índice de difusão, que mede a quantidade de produtos em alta, chegou a 53%, ante os 58% anteriores. Os transportes também mostraram recuo nos preços , com taxa negativa de 0,33%. Isso ocorreu devido à queda de cerca de 13% no álcool, que tem influência na gasolina e ajuda a baratear os preços dos combustíveis. No entanto, esses preços já voltam a registrar aceleração, diz Picchetti. Na ponta, medida que compara os preços da semana atual com a imediatamente anterior e dá uma boa noção da tendência, o álcool está caindo menos - 7%. Para o fechamento do mês, o economista espera deflação próxima de 0,15%. Nas medições anteriores, o economista projetava estabilidade para o IPC de junho.