Título: Crescimento menor impede que dívida líquida caia abaixo de 50% do PIB
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 28/06/2005, Brasil, p. A3

A revisão dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) - que ficou menor do que o inicialmente estimado - impediu que a dívida líquida do setor público rompesse em maio a barreira dos 50% do PIB. Ela ficou em 50,3% do PIB, ligeira queda em relação aos 50,4% do PIB de abril, mas acima dos 49,9% do PIB projetados pelo Banco Central. O que saiu fora do previsto no exercício de projeção do BC foi o resultado do PIB de 2004. Em fins de maio, o IBGE anunciou a revisão das contas nacionais de 2004 e a expansão da economia foi calculada em 4,9%, em vez dos 5,2% inicialmente divulgados. O crescimento ligeiramente menor da economia obrigou o BC a rever sua série estatística sobre o endividamento desde o último trimestre de 2004. A dívida de abril, por exemplo, subiu 0,3 ponto percentual. O episódio revela a importância do crescimento real da economia na queda da dívida líquida. Neste ano, o crescimento do PIB nominal teve impacto positivo de 1,4 ponto percentual na redução da dívida líquida, nos valores acumulados até maio. Há, certamente, por trás disso um efeito da inflação - o IGP-DI, indicador tradicionalmente usado como deflator do PIB, está mais baixo neste ano do que em 2004. Mas o número também reflete a desaceleração do crescimento real da economia, que se expandiu 0,32% no primeiro trimestre de 2005, em relação ao último trimestre de 2004, percentual bem mais baixo do que o 1,81% no período correspondente em 2004. Com um crescimento mais fraco e inflação mais baixa, o que vem segurando o indicador de endividamento é o superávit primário mais elevado. Neste ano, esse fator provoca uma queda de 2,6 pontos percentuais na dívida líquida, ante 2,3 pontos no mesmo período de 2004. O papel da valorização cambial, que fez a dívida cair 0,7 ponto percentual também não é desprezível. Os juros nominais estão pressionando mais o endividamento: 3,4 pontos neste ano, ante 3,12 pontos em 2004. O BC manteve a projeção para a dívida líquida no fim deste ano em 51,3% do PIB. O percentual é mais alto que a dívida de 50,3% calculada em maio porque o BC toma como parâmetro uma taxa de câmbio de R$ 2,65 no fim do ano e uma taxa Selic média de 19,15% ao ano em 2005. (AR)