Título: Setor elétrico pode aumentar pedidos à indústria em 50%
Autor: Leila Coimbra
Fonte: Valor Econômico, 22/10/2004, Empresas, p. B-6
Os fabricantes de equipamentos de geração hidrelétrica voltaram a sorrir, depois de dois anos sem encomendas, e projetam um crescimento de até 50% de novos pedidos neste ano. Os investimentos em produção de eletricidade ficaram paralisados desde 2002 à espera da nova regulamentação do setor, e também porque houve, após o racionamento, uma sobra conjuntural de energia no país. Além disto, das 45 hidrelétricas já concedidas à iniciativa privada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nos últimos anos, 24 usinas estavam paradas por conta de entraves ambientais, segundo levantamento do Ministério de Minas e Energia. Este cenário, no entanto, mudou. Neste ano, pelo menos quatro grandes projetos hidrelétricos já foram liberados pelo Ibama para sair do papel. Dentre eles estão as usinas de Foz do Chapecó (com 855 MW) e Barra Grande (com 690 MW). Além disto, o Ibama está priorizando a usina de Estreito, no rio Tocantins (de 1.087 MW). Juntas, as três hidrelétricas representam 52% da energia que será gerada pelos 24 empreendimentos paralisados (1.545 MW), por serem as maiores usinas do pacote (que somava 5.039 MW emperrados no início do ano). Segundo o Ibama, a licença de instalação para Estreito deve sair no início de 2005. A solução dos entraves ambientais e a perspectiva da licitação no próximo ano de mais 17 hidrelétricas trouxe otimismo para a General Electric Hydro no Brasil "Esperamos crescer 50% neste ano. Em 2005 e em 2006 esperamos um crescimento médio de 25% a 30% por conta dos novos projetos de hidrelétricas", conta o presidente da GE Hydro, José Malta. Ele não quis falar em números absolutos de faturamento do grupo, mas sabe-se que a GE é a líder mundial no segmento de equipamentos elétricos, com faturamento de US$ 23 bilhões no mundo. O faturamento global da GE é de US$ 132 bilhões. Para manter-se nos últimos dois anos, a GE Hydro no Brasil apostou nas exportações. O grupo vendeu turbinas e geradores para os mercados dos Estados Unidos, Suécia, Venezuela e tenta entrar no mercado mexicano. Segundo Malta, as exportações de 2003 dobraram em comparação ao que foi exportado em 2002. Neste ano, o volume vendido lá fora será novamente duplicado sobre o ano anterior. Em 2005 o patamar deste ano será mantido. "Mas também já sentimos neste ano o aquecimento do mercado interno. No próximo ano praticamente não haverá crescimento nas exportações e grande parte da produção será voltada para a demanda nacional". A Voith Siemens, outra fabricante de equipamentos de geração hidrelétrica tem um otimismo mais moderado. O vice-presidente da empresa, Sérgio Parada, acredita em uma retomada das encomendas apenas no segundo semestre de 2005, após os leilões das chamadas energia "velha" e "nova". A Voith Siemens fechou apenas um contrato nos últimos 24 meses: US$ 40 milhões com Furnas. "Alguns dos investidores dessas usinas que estão recebendo o licenciamento ambiental estão primeiro querendo ver qual será a condição do mercado após os primeiros leilões sob as novas regras". Segundo Parada, a Voith Siemens tem engatilhado pelo menos dois contratos, mas em ambos os casos os investidores estão aguardando qual será a "sinalização" de tarifas e de condições de capitalização a partir dos leilões. "Nós estamos negociando o contrato da usina de Salto Pilão, do grupo Votorantim, mas a empresa só deverá tocar o projeto no próximo ano. O mesmo acontece com a usina de São Salvador, da Tractebel". Além dos licenciamentos ambientais, a retomada do consumo de energia vem sendo motivo de alegria no setor e deverá impulsionar novos investimentos. Neste ano, a previsão é de crescimento de 5,5% na demanda, em média. Para abastecer a essa demanda, serão necessários novos 3 mil MW a 4 mil MW anuais de energia. Para garantir esse acréscimo, os investimentos anuais previstos pelo Ministério de Minas e Energia são de US$ 2,9 bilhões.