Título: Thomaz Bastos apresenta balanço das operações da PF ao presidente
Autor: Henrique Gomes Batista
Fonte: Valor Econômico, 28/06/2005, Política, p. A6

Thomaz Bastos: "A medida que impediu que obrigou a comunicação de saques superiores a R$ 100 mil reais é deste governo"

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, encontrou-se ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em companhia do Corregedor da União, Waldir Pires, para fazer um balanço das operações promovidas pela Polícia Federal (PF) na apuração das denúncias de corrupção em estatais e do pagamento de mensalão por parte do PT a deputados do PP e do PL, em troca de apoio. Ele confirmou que a PF mineira está investigando a movimentação financeira de Marcos Valério, sócio de duas empresas de publicidade e amigo de Delúbio Soares, tesoureiro do PT. Valério foi acusado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser um dos operadores do mensalão. Segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgados no fim de semana pela revista Isto É, Valério sacou R$ 20,9 milhões nos últimos dois anos. "O nosso combate à corrupção vem lá de trás. Essa medida que impediu que se fizessem saques de 100 mil reais ou mais, sem a comunicação à autoridade competente que é o Coaf, é uma medida deste governo", disse. O ministro informou que as apurações da PF continuam, mas negou que esta semana seja deflagrada uma grande operação, que atinja o governo ou o PT. "Não esperem nenhuma hecatombe que não vai ter", afirmou. Thomaz Bastos afirmou que a reunião com o presidente foi boa e que Lula queria um relato das providências que seu ministério e a Polícia Federal estão tomando. "A PF está com seu orçamento dobrado, absolutamente livre para investigar sem perseguir e sem proteger", afirmou. "Não posso entrar em pormenores, o que eu acho que deve e posso dizer, é que existem três inquéritos na PF, que estão avançando. No Rio, o inquérito do IRB, um em Brasília que investiga as denúncias dos Correios - está numa fase de examinar contratos, ouvir pessoas -, e um que foi aberto na semana passada, para investigar as denúncias (do mensalão) da secretária (de Valério), fazendo um escrutínio amplo sobre toda aquela questão, inclusive sobre esses saques de dinheiro", disse. Após o encontro com o presidente Lula, Thomaz Bastos se reuniu com o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), segundo disse, para tratar do referendo do desarmamento. Ontem, nenhuma das duas investigações das denúncias de corrupção na Câmara avançaram na tomada de depoimentos. A única novidade foi administrativa: o corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), pediu formalmente ao presidente da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE), que a comissão de sindicância que apura as denúncias do mensalão tenha seu prazo de conclusão dobrado. Originalmente o prazo para a conclusão era de 20 sessões. Se for confirmado o recesso de julho, o prazo inicial expirava em 6 de agosto. As novas 20 sessões pedidas jogam a conclusão da apuração das denúncias para setembro. O presidente nacional do PT, José Genoino, e o publicitário Marcos Valério deverão depor hoje na comissão de sindicância. O ex-ministro José Dirceu, que deporia esta semana no Conselho de Ética, mas pediu adiamento por estar de mudança de sua casa no Lago Sul para um apartamento funcional de deputado.