Título: PMDB deve receber mais dois ministérios
Autor: Cristiano Romero
Fonte: Valor Econômico, 24/06/2005, Política, p. A6
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), para um almoço hoje, quando será definida a situação do partido na reforma ministerial. Lula deve oferecer mais dois ministérios à sigla, provavelmente os da Saúde e o da Integração Nacional, mas a Pasta preferida dos pemedebistas é a de Minas e Energia. Até agora, Lula não falou dos ministérios com a cúpula do PMDB. Houve apenas conversas exploratórias entre seus interlocutores, especialmente Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), Aldo Rebelo (Coordenação Política) e o líder no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e a cúpula do PMDB. Nessas conversas, além desses três ministérios, foi discutida também a possibilidade de o partido ficar com o de Cidades. Na conversa que teve com Renan, o presidente se limitou a dizer que faria a reforma ministerial e queria ampliar a participação do PMDB no governo. Renan respondeu: "Presidente, quando o senhor definir o formato, nos convoque institucionalmente. Eu, o Sarney, o Michel (Temer), porque estamos todos juntos". Definidos os ministérios, o PMDB ainda pretende discutir o convite em alguma instância partidária, para decidir se aceita ou não. Na realidade, o PMDB está disposto a participar de um governo de coalizão com Lula, mas avalia que o país não está mais numa pré-crise, mas em plena crise, e que por isso seu peso relativo mudou. O partido passou a ser fundamental para a manutenção da governabilidade, segundo esse entendimento, e deve ter uma participação proporcional a seu tamanho - é a maior bancada do Senado e a segunda da Câmara. Só a ala liderada pelo ex-governador Anthony Garotinho (RJ), atualmente, se opõe frontalmente a qualquer tipo de entendimento e defende, inclusive, a devolução dos dois ministérios que o partido já ocupa, o das Comunicações e o de Cidades. A oposição à aliança pode crescer, se Lula oferecer ministérios de pouco poder de fogo. Para formalizar o entendimento com Lula, o PMDB estabeleceu algumas condições. Entre elas, a de que a coalizão agora não significa necessariamente um compromisso eleitoral para 2006 - ou seja, não é um atrelamento automático à recandidatura presidencial de Lula. É uma premissa que ajuda o entendimento interno da legenda: o deputado Michel Temer e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, por exemplo, defendem a candidatura própria. O PMDB vai pedir a Lula também que deixe claro que coalizão não significa "operação abafa" das investigações sobre corrupção no governo e no PT. Com os dois novos ministérios, Lula deve atender a ala ligada a Temer, antigo aliado dos tucanos mantido à margem desde a posse do atual governo, e Sarney. O ex-presidente teria preferência pelo Ministério das Minas e Energia, para o qual indicaria o atual presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau. O problema é que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ainda não desistiu de manter o controle sobre sua antiga Pasta. Os pemedebistas já falam também que, para compor efetivamente o partido, Lula talvez precise de arrumar um quinto ministério.