Título: Votação do mínimo é adiada para terça-feira
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Fonte: Valor Econômico, 24/06/2005, Política, p. A8
Foi adiada mais uma vez a votação, no plenário da Câmara, da MP (medida provisória) que elevou o salário mínimo de R$ 260 para R$ 300. O motivo do novo adiamento foi a obstrução feita pelos partidos de oposição, em especial do chamado "bloquinho independente", formado por PPS, PDT e PV. Na quarta-feira, após muita discussão, a Câmara havia conseguido derrubar o projeto que tentava elevar o mínimo para R$ 310. A votação da matéria em plenário só deve ser retomada na próxima semana. O vice-líder do PDT, Pompeu de Mattos (RS), justificou a obstrução alegando que os governistas continuam alijando os partidos de fora da base das negociações no Congresso. "Nossos partidos não têm sido incluídos nas discussões, e queremos o espaço que nos é de direito. Não somos da oposição, como PSDB e PFL, nem do governo, mas podemos ser o ponto de equilíbrio." Apesar da obstrução, o plenário conseguiu na manhã de ontem rejeitar em bloco 10 emendas feitas à medida provisória. O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), lamentou que mais uma vez o plenário não tenha conseguido votar a matéria. Para que o quorum mínimo de 257 deputados fosse alcançado, faltaram apenas 36 congressistas. Oposição e governo travaram um novo duelo de acusações durante a discussão da MP. Integrantes da base aliada acusam o governo Fernando Henrique Cardoso de ter promovido a pior perda de poder aquisitivo do salário mínimo desde sua criação, apesar do Plano Real. Já a oposição alega que o ritmo de recuperação do mínimo do governo Lula vai impedir o cumprimento da promessa de dobrar o valor do mínimo neste mandato.