Título: CMN fixa em 4,5% a meta de inflação para 2007
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 24/06/2005, Especial, p. A12

Conjuntura País vai perseguir índice de 4,0% a longo prazo, diz ministro

O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou ontem em 4,5% a meta de inflação para 2007, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima e para baixo. A meta de 2006, também de 4,5%, foi mantida. O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, indicou que a meta de longo prazo a ser perseguida na economia brasileira é de 4%. Ele ressaltou, porém, que esse percentual poderá cair ao longo do tempo, com o amadurecimento da economia. Com a decisão de ontem do CMN, saiu perdedora a corrente de economistas ligados ao governo - entre eles, o líder no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) - que propunha aumentar a meta de 2006 e fixar um objetivo menos ambicioso para 2007. Os parâmetros fixados pelo CMN para 2007 - idênticos aos fixados para 2006 - , entretanto, garantem ao Banco Central um certo grau de flexibilidade para atingir as metas de longo prazo. Em tese, o BC ganha mais um ano para fazer a inflação chegar ao nível de 4,5%, acomodando eventuais choques de oferta e parte da inércia inflacionária que está sendo acumulada neste ano. Caberá à autoridade decidir se irá usar ou não essa flexibilidade. Ao anunciar a meta, Palocci, procurou indicar que a fixação de percentuais idênticos para 2006 e 2007 não significa que o BC vai acomodar uma inflação maior no intervalo de tolerância. "O que esperamos é que o BC atinja essa meta em 2006 e consolide essa meta em 2007." Segundo ele, uma eventual mudança da meta de 2006 não foi discutida. "Essa meta foi fixada com dois anos de antecedência, em 2004", afirmou o ministro. "Sempre que se indica uma meta de inflação maior, a única conquista é uma inflação maior." Palocci explicou que quatro aspectos foram levados em consideração na fixação do objetivo de 4,5% para 2007. Um deles foi a escolha de um percentual "consistente com a trajetória de crescimento sustentado da economia". Ou seja, evitou-se percentuais que exigissem uma flutuação desnecessária do produto. Também levou em conta o fato de que, em países em desenvolvimento, os preços relativos mudam com maior freqüência e intensidade - ou seja, emergentes sofrem mais choques de oferta. Outro aspecto que o CMN levou em consideração, disse, foi "a experiência internacional, inclusive em países emergentes, que tem demonstrado que o mais adequado é trabalhar com metas de inflação abaixo de 5%". Esse percentual é considerado por economistas como uma espécie de corte para a chamada inflação aberta. Quando o índice está abaixo dele, os agentes econômicos ignoram a inflação em suas decisões econômicas. O quarto e último aspecto considerado, segundo Palocci, é um desdobramento do anterior: uma meta mais elevada estimularia mecanismos de realimentação - indexação - inflacionária e "não atuaria favoravelmente no crescimento econômico, mesmo no curto prazo". O ministro disse que, para além de 2007, o país deverá mirar uma inflação de 4%. Essa seria a inflação teoricamente neutra. Nem mesmo em países desenvolvidos a inflação neutra é entendida como apenas zero, já que se admite uma variação mínima de preços para acomodar erros estatísticos e mudanças nos hábitos de consumo e de preços relativos.