Título: Instituto do Coração desiste de expansão
Autor: Roberta Campassi e Carolina Mandl
Fonte: Valor Econômico, 24/06/2005, Empresas &, p. B1

Com uma situação econômica debilitada, o Instituto do Coração (Incor) desistiu de construir dois novos hospitais em São Paulo. A fundação Zerbini, entidade mantenedora do Incor, rescindiu o contrato de locação do imóvel Umberto Primo com a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Na área de 27 mil m², o Incor, em parceria com entes privados, construiria um hospital de transplantes e outro de neurocirurgia. "Por um erro nosso, o Incor aceitou fechar um contrato de locação que previa o pagamento do aluguel desde o primeiro mês, mas não queremos mais isso", afirma José Antonio Ramires, presidente do conselho diretor do Incor. O hospital começou a alugar a área em janeiro deste ano. Segundo Ramires, seriam necessários pelo menos 16 meses de carência do aluguel para o projeto começar a ser tocado. Agora, Previ e Incor discutem uma solução para o contrato, que previa a locação até 2011. Procurado, o fundo de pensão não quis comentar o assunto. Em uma nota oficial, a Previ disse que o Incor tentou negociar novas condições para o contrato, mas que elas não atendiam às necessidades do fundo. "A Previ notificou extrajudicialmente a Fundação Zerbini, conforme cláusulas contratuais, e tomará medidas cabíveis para proceder à rescisão contratual", disse a nota. A locação do imóvel traria à fundação Zerbini um gasto mensal de R$ 400 mil. No ano passado, o hospital teve um prejuízo líquido de R$ 53,5 milhões. Seu patrimônio social já está negativo em R$ 80,6 milhões. Em seu balanço de 2004, a fundação Zerbini diz que, em março, Francisco Camelo de Mesquita foi eleito como novo presidente para buscar o reequilíbrio econômico da instituição. (CM)