Título: Futuro promissor, mas com ressalvas
Autor: Mauro Zanatta, Cibelle Bouças e Fernando Lopes
Fonte: Valor Econômico, 06/07/2005, Agronegócios, p. B14

Considerado um dos maiores especialistas em agronegócios do país, André Pessôa, diretor da Agroconsult, arrancou risos no congresso da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), na sexta, ao dizer que estava à vontade para ministrar sua palestra apesar do clima adverso que ainda mantém em "corners" opostos produtores de grãos e governo. Pessôa estava ali para falar do longo prazo, e ele sabia que o horizonte era promissor. Com ressalvas Impulsionados principalmente pelas perspectivas de aumento da demanda por parte dos produtores de ração, soja e milho, no cenário traçado, deverão experimentar significativos crescimentos de área, produtividade e produção no país até a safra 2015/16 - mantidas, claro, as condições normais de temperatura e pressão, incluindo na conta o clima e políticas de juros e câmbio diferentes das atuais. No caso da soja, prevê a Agroconsult, a área plantada no país deverá crescer, em média, 2,5% ao ano na próxima década, e a produtividade, 3,7%. Com isso, a produção brasileira saltaria 6,3%, e seriam agregadas até 2015/16 48,4 milhões de toneladas, quase o volume previsto para 2004/05. Mas, a despeito desse aumento, Pessôa afirmou que o Brasil, na soja, crescerá a reboque de seus concorrentes Estados Unidos e Argentina. No caso dos EUA, ele prevê pequena redução da área em função do avanço do milho naquele país, e produção em torno de 85 milhões de toneladas para 2015/16. Para a Argentina, Pessôa estima crescimento acumulado de 14 milhões de toneladas até lá, o que levaria a safra total do vizinho - e maior rival - a 53 milhões de toneladas. No caso do milho, a Agronconsult projeta um aumento de área no plantio de verão no Brasil de 1,6% ao ano na próxima década, com um ganho anual médio de produtividade de 3,6%. A conjunção elevaria a produção brasileira de verão em 5% ao ano, o suficiente para ampliar a colheita em 21 milhões de toneladas. Pessôa estima crescimento também para a safrinha, puxado pelo avanço na região Centro-Oeste, que teria cerca de 9 milhões de toneladas a mais. Neste dia, acredita, o país poderá assumir cerca de 10% das exportações mundiais do grão. Pessôa acredita, ainda, que no mesmo período os EUA terão de colocar no mercado mais 23 milhões de toneladas de milho, sob forte influência da produção de etanol, uma vez que ele crê na manutenção dos atuais elevados preços do petróleo no mercado internacional. Para a Argentina, o consultor prevê aumentos anuais médios de 0,3% na área e de 1,6% na produção, que cresceria, nesses cálculos, em aproximadamente 4 milhões de toneladas. (FL