Título: Taxa de juro cai pela metade
Autor: Janes Rocha
Fonte: Valor Econômico, 27/06/2005, Finanças, p. C1

Há seis meses, quando entrou para a Sicred Ciesp ABCD, Renato Kulisauskas, parou de pegar empréstimo nos dois bancos nos quais tem conta pessoal e da empresa e centralizou tudo na cooperativa. A empresa de Kulisauskas, a Renamaq, uma pequena fabricante de máquinas para a indústria plástica, com sede em Santo André, movimenta cerca de R$ 120 mil em giro e desconto de duplicatas todo mês. Os bancos cobravam de Kulisauskas de 6,7% a 8% ao mês pelas operações. Na cooperativa ele paga 3,2% ao mês em média. O empresário conta que, quando passou a operar só com a cooperativa, os gerentes dos bancos vieram falar com ele, visitaram a empresa, perguntaram se estava tudo bem, "pensaram que a empresa tinha fechado", recorda. Quando ele expôs a alternativa mais favorável, os gerentes fizeram a seguinte contraproposta: baixaram os juros dos empréstimos para 6,5% a 7% ao mês. Hoje Kulisauskas mantém as contas correntes nos dois grandes bancos para receber os pagamentos feitos pelos clientes. "Não tem comparação, o crédito bancário é difícil, burocrático e os juros são muito altos", avalia Kulisauskas, que não aceita a crítica dos bancos de que as pequenas empresas não oferecem informações suficientes e operam com caixa paralelo, dificultando a avaliação do risco de crédito. "O gerente (do banco) sabe muito bem quanto as empresas faturam porque mesmo o que se vende sem nota passa pela conta corrente", argumenta. J. Paschoal, sócio da Acelik Indústria Mecânica, outro associado do Sicredi Ciesp ABCD, não vai tão longe a ponto de não recorrer aos bancos. Com faturamento de R$ 2 milhões, 40 funcionários, a Acelik faz usinagem de peças em tornos automáticos para diversas finalidades. Paschoal busca um terço do que ele precisa para financiar seu capital de giro nos bancos, um terço da cooperativa e o restante de factorings. "A intenção é aumentar muito a participação em cooperativas", afirma Paschoal, um matemático que trabalhou em grandes montadoras do ABC até 1990, quando abriu a Acelik com alguns sócios. Superorganizado, J. Paschoal mantém sempre à mão planilhas atualizadas que demonstram todas as contas da empresa e as variações no custo doméstico e internacional da matéria prima - aço e latão. A Acelik tem conta em três bancos, um privado e dois estatais. Pelos cálculos de Paschoal, o custo médio do capital de giro e descontos de duplicata nos bancos privados é 3,39% ao mês, nos estatais é 2,68% e na Sicred, 1,94%. A média: 2,67% ao mês. Segundo o empresário, quando ele reduziu o volume de crédito utilizado nos bancos, os gerentes ligaram e, ao saber que ele tinha uma opção a juros menores, também reduziram suas taxas. "A cooperativa está balizando as taxas de juros para baixo, mas eu não pretendo sair dos bancos porque eles têm uma versatilidade diferente", afirma Paschoal. Manter bom relacionamento com os bancos é importante na hora de investir, pois eles são repassadores de recursos de longo prazo do BNDES, para aquisição de máquinas e equipamentos, embora algumas cooperativas também tenham acesso a esses recursos. Mas Kulisauskas é cético: "Pedi no banco um cartão BNDES para comprar uma nova máquina faz seis meses. Eles só respondem que estão vendo, estão analisando. Até agora nada", afirma.(JR)