Título: Emissões externas chegam a US$ 2,8 bilhões em junho
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 27/06/2005, Finanças, p. C2
SÃO PAULO - A piora do cenário interno com o desdobramento da crise política teve pouca influência no interesse dos investidores estrangeiros por papéis brasileiros. Nos últimos dias, várias empresas (e o próprio governo brasileiro) lançaram com sucesso papéis no mercado internacional. Só este mês, as emissões chegaram a US$ 2,8 bilhões, bem acima do valor emitido em junho do ano passado, quando o total ficou em US$ 1,6 bilhão, segundo levantamento do Valor Data.
Os números prometem melhorar ainda mais. Na sexta-feira, o Banco Votorantim anunciou a abertura de um captação de eurobônus com valor inicial de US$ 100 milhões. Os papéis terão prazo de três anos e uma inovação, em se tratando de emissão de um banco: as taxas de juros serão flutuantes, o que protege o investidor de um eventual aumento dos juros básicos da economia.
" Quem está acessando o mercado são empresas de primeira linha " , destaca, de Nova York, Augusto Urmeneta, da Merrill Lynch. " Para estas empresas o mercado não está tão ruim " , disse. A corretora coordenou o lançamento do bônus perpétuo da petroquímica Braskem e o da emissão em reais da Eletropaulo.
No caso da Braskem, a demanda foi oito vezes maior que a oferta, chegando a US$ 800 milhões. Com a Votorantim Overseas não foi diferente. Por causa da forte procura, a empresa resolveu emitir US$ 400 milhões e não os US$ 300 milhões inicialmente previstos.
" No caso da Braskem, é uma empresa exportadora conhecida no mercado internacional " , destaca o advogado Tiago Peres, do escritório Souza Cescon. Para ele, apesar do momento conturbado no cenário externo, empresas de primeira linha, com projeção internacional, acabam atraindo o interesse dos investidores.
Para Alexandre Chauar, superintendente de renda fixa do Banif Primus Banco de Investimento, as empresas que já tinham operações no forno aproveitaram os últimos dias para emitir os papéis. Agora, porém, com a piora da crise política, ele já nota uma maior aversão ao risco. " Para quem estiver planejando emissões, os investidores vão pedir um prêmio maior " , diz. Além da crise política, Chauar cita o aumento do preço do barril de petróleo, que nos últimos dias ronda a casa dos US$ 60, como outro fator a aumentar a incerteza dos investidores globais.
Como lembra o diretor de um banco internacional que coordenou algumas operações, as empresas estão aproveitando a oportunidade de captar com spreads menores para melhorar o perfil de suas dívidas. A Eletropaulo, por exemplo, vai usar metade dos US$ 200 milhões para refinanciar parte de sua dívida de R$ 1,8 bilhão com bancos locais. A Votorantim e a Braskem seguem a mesma estratégia.
Segundo Urmeneta, da Merrill Lynch, um dos fatores que chamou a atenção foi o interesse dos investidores de varejo, principalmente na Ásia. Tanto no lançamento de bônus perpétuos do Bradesco, no final de maio, quanto no da Braskem, os pequenos investidores levaram a maioria dos papéis. As duas operações foram coordenadas pela Merrill Lynch. Na emissão da petroquímica, 70% dos papéis ficaram no varejo. No lançamento do Bradesco, que vendeu US$ 300 milhões em bônus sem data de vencimento, a participação foi de 80%.
(Altamiro Silva Júnior | Valor Econômico ) SÃO PAULO - A piora do cenário interno com o desdobramento da crise política teve pouca influência no interesse dos investidores estrangeiros por papéis brasileiros. Nos últimos dias, várias empresas (e o próprio governo brasileiro) lançaram com sucesso papéis no mercado internacional. Só este mês, as emissões chegaram a US$ 2,8 bilhões, bem acima do valor emitido em junho do ano passado, quando o total ficou em US$ 1,6 bilhão, segundo levantamento do Valor Data.
Os números prometem melhorar ainda mais. Na sexta-feira, o Banco Votorantim anunciou a abertura de um captação de eurobônus com valor inicial de US$ 100 milhões. Os papéis terão prazo de três anos e uma inovação, em se tratando de emissão de um banco: as taxas de juros serão flutuantes, o que protege o investidor de um eventual aumento dos juros básicos da economia.
" Quem está acessando o mercado são empresas de primeira linha " , destaca, de Nova York, Augusto Urmeneta, da Merrill Lynch. " Para estas empresas o mercado não está tão ruim " , disse. A corretora coordenou o lançamento do bônus perpétuo da petroquímica Braskem e o da emissão em reais da Eletropaulo.
No caso da Braskem, a demanda foi oito vezes maior que a oferta, chegando a US$ 800 milhões. Com a Votorantim Overseas não foi diferente. Por causa da forte procura, a empresa resolveu emitir US$ 400 milhões e não os US$ 300 milhões inicialmente previstos.
" No caso da Braskem, é uma empresa exportadora conhecida no mercado internacional " , destaca o advogado Tiago Peres, do escritório Souza Cescon. Para ele, apesar do momento conturbado no cenário externo, empresas de primeira linha, com projeção internacional, acabam atraindo o interesse dos investidores.
Para Alexandre Chauar, superintendente de renda fixa do Banif Primus Banco de Investimento, as empresas que já tinham operações no forno aproveitaram os últimos dias para emitir os papéis. Agora, porém, com a piora da crise política, ele já nota uma maior aversão ao risco. " Para quem estiver planejando emissões, os investidores vão pedir um prêmio maior " , diz. Além da crise política, Chauar cita o aumento do preço do barril de petróleo, que nos últimos dias ronda a casa dos US$ 60, como outro fator a aumentar a incerteza dos investidores globais.
Como lembra o diretor de um banco internacional que coordenou algumas operações, as empresas estão aproveitando a oportunidade de captar com spreads menores para melhorar o perfil de suas dívidas. A Eletropaulo, por exemplo, vai usar metade dos US$ 200 milhões para refinanciar parte de sua dívida de R$ 1,8 bilhão com bancos locais. A Votorantim e a Braskem seguem a mesma estratégia.
Segundo Urmeneta, da Merrill Lynch, um dos fatores que chamou a atenção foi o interesse dos investidores de varejo, principalmente na Ásia. Tanto no lançamento de bônus perpétuos do Bradesco, no final de maio, quanto no da Braskem, os pequenos investidores levaram a maioria dos papéis. As duas operações foram coordenadas pela Merrill Lynch. Na emissão da petroquímica, 70% dos papéis ficaram no varejo. No lançamento do Bradesco, que vendeu US$ 300 milhões em bônus sem data de vencimento, a participação foi de 80%.