Título: Usiminas faz estudos para ficar com 10% da megausina da Techint
Autor: Ivo Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 28/06/2005, Empresas, p. B1

Siderurgia Companhia pode incorporar ações de Siderar e Sidor e investir até US$ 100 milhões

A Usiminas, maior fabricante de aços planos da América Latina, faz estudos para deter no mínimo 10% do capital da megasiderúrgica que o grupo ítalo-argentino Techint planeja erguer após concluir a compra da mexicana Hylsamex. A Techint pretende reunir essa usina e mais duas outras que controla na Argentina e Venezuela sob uma holding criada especificamente para essa operação. No momento, dentro dos corredores do grupo, essa holding, que deverá ter suas ações listadas na Bolsa de Nova York, ganhou o nome fantasia de "Planaris". Pelos planos da Techint, a holding vai juntar sob seu guarda-chuva as ações do grupo na Siderar, usina de aços planos na Argentina; a participação na Sidor, siderúrgica que produz aço plano e longo na Venezuela; e a Hylsamex, que faz aços planos e cujo controle total está em fase de aquisição. Esse grupo dispõe de capacidade instalada acima de 10 milhões de toneladas ao ano. O conselho da Usiminas, que detém participações na Siderar e Sidor, autorizou a realização dos estudos para incorporar suas ações à holding, conforme comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) há poucos dias. A análise da companhia deve ficar pronta em breve, de acordo com informações obtidas pelo Valor e seu desejo é estar presente na megausina. Pelo porte, deverá ficar entre as 20 maiores do mundo. A idéia da Usiminas é incorporar suas participações de 5,3% na Siderar e 16% no Consórcio Siderurgia Amazônia, que controla 60% do capital votante da Sidor. A aprovação, conforme o comunicado à CVM, fica condicionada à integração dessas participações, além de um aporte, em dinheiro, limitado a US$ 100 milhões. O conselho da siderúrgica impõe à operação outras condições, como participação de no mínimo 10% no capital da holding e processo de avaliação das empresas por consultoria independente, adotando o critério de fluxo de caixa descontado. Outro ponto é que a holding liste ações no mercado por meio da Bolsa de Nova York dentro de um certo prazo. A Usiminas quer ainda garantir um mecanismo de saída caso as condições negociadas não sejam atendidas. Para a Usiminas, estar presente na holding da Techint é um passo importante dentro do processo de consolidação da siderurgia mundial. O presidente da companhia, Rinaldo Campos Soares, não quis detalhar os planos da empresa. Apenas destacou que "a Usiminas está sempre atenta às oportunidades de alianças e negócios internacionais e, dentro desse foco, estamos estudando nossa participação na 'Planaris'''. O setor deve acelerar ainda mais seu movimento de consolidação para fazer frente a seus principais fornecedores de matérias-primas e insumos básicos - minério de ferro e carvão. Em 2004, foi criada a Mittal Steel, do empresário indiano Lakshimi Mittal, para produzir 60 milhões de toneladas. A Arcelor é resultado de fusões na Europa, com posição expressiva no Brasil - CST, Belgo e Acesita. Seu porte: 50 milhões de toneladas. A avaliação é que usinas brasileiras e outras da América Latina, à exceção do grupo Gerdau - posicionado nas Américas do Sul e do Norte e 13º no ranking mundial - começam a ficar pequenas no cenário de competição globalizada do aço. Hoje, o bloco Usiminas/Cosipa ocupa a 22ª posição no ranking mundial. A CSN, de Benjamin Steinbruch, está no 44º lugar. O grupo Techint, somando produção de tubos sem costura e Siderar, é o 49º maior do setor. Já Sidor e Hylsamex aparecem nas 64ª e 78ª posições, respectivamente. As empresas desse grupo estão numa linha de produção abaixo de 6 milhões de toneladas. Diante desse quadro, Paolo Rocca, presidente do grupo Techint justificou, recentemente, sua oferta de US$ 2,2 bilhões pela aquisição do controle da Hylsamex: "O negócio fortalece nosso projeto de construir um grupo líder regional na América Latina para competir exitosamente na indústria siderúrgica global, que atravessa um forte processo de consolidação". Segundo a Techint, o novo grupo siderúrgico, reunindo bases de operações em três países, disporia de capacidade anual de produção de 12 milhões de toneladas, vendas anuais de aproximadamente US$ 5 bilhões e um portfólio de aços planos, longos e revestidos. Com a compra das participações do grupo Alfa na Hylsamex e no consórcio Amazônia, a Techint passa a dominar 81% desse consórcio, controlador da Sidor. O grupo quer replicar, regionalmente, sua experiência internacional no negócio de tubos sem costura e soldados. Para ficar mais competitivo mundialmente, reuniu todos os ativos sob a holding Tenaris, sediada em Luxemburgo, que abriu o capital na Bolsa de Nova York. Em 2004, a Tenaris teve receita líquida da US$ 4,1 bilhões. A "Planaris" segue na mesma linha estratégica, porém no âmbito da América Latina. Segundo porta-voz do grupo, o processo ainda está em andamento e deverá demorar ainda alguns meses até que a aquisição da Hylsamex esteja completada. A operação, que depende também da adesão de demais acionistas controladores e de uma oferta pública em bolsa, será levada também à aprovação dos órgãos de concorrência do México. A Techint, sediada em Buenos Aires, tem operações em mais de 100 países nas áreas de produção de tubos, aços planos e longos, engenharia e petróleo. Seu faturamento anual é de US$ 8,5 bilhões.