Título: Refrigerante gaúcho prepara briga com líderes
Autor: Sérgio Bueno
Fonte: Valor Econômico, 05/07/2005, Empresas, p. A6

A partir do pequeno município de Lajeado, a 120 quilômetros de Porto Alegre, a Bebidas Fruki vem pouco a pouco ampliando sua participação no mercado gaúcho de refrigerantes e já promete ser motivo de preocupação para as líderes Coca-Cola e AmBev. Desconhecida fora do Rio Grande do Sul, a empresa optou por uma estratégia discreta em comparação com as grandes concorrentes, dando prioridade aos investimentos em tecnologia, expansão da capacidade produtiva e rede de distribuição para só depois partir para as campanhas publicitárias, o que deve ocorrer daqui a quatro anos. Segundo o diretor geral da companhia, Nelson Eggers, os refrigerantes Fruki, vendidos nos sabores guaraná, cola, limão, laranja e uva, respondem por 10% da demanda do segmento no Estado, de 750 milhões de litros em 2004, atrás apenas da Coca-Cola, que oscila numa faixa um pouco acima de 50%, e da AmBev, que fica em torno de 22%. Em 1990 a participação era de apenas 1% e até 2009 o objetivo é chegar a 20% do mercado. Eggers diz, com base em dados do instituto Nielsen, que o mercado cresce a uma taxa de 3% por ano. No ano passado, a Fruki produziu um total de 118 milhões de litros de bebidas, incluindo os 37 milhões da água mineral Água da Pedra e os 6 milhões de litros do energético Frukito. Para este ano, a previsão é de uma produção de 136 milhões, 15% superior à de 2004. Embora não divulgue o valor do faturamento, Eggers estima que ele crescerá 25% em 2005 por conta do aumento das vendas físicas e dos reajustes de preços. Só de refrigerantes, envasados em latas, embalagens PET de dois litros e de 600 mililitros e garrafas de vidro, serão produzidos 84 milhões de litros neste ano. E se a meta de crescimento até 2009 for alcançada, este volume terá mais que dobrar no período. Das linhas de água mineral, segmento no qual a empresa detém uma participação de cerca de 15% do mercado gaúcho, sairão mais 45 milhões de litros em 2005. Capacidade instalada não falta para sustentar os planos de expansão da Fruki. Ela chega a 300 milhões de litros por ano se a empresa trabalhar sete dias por semana em três turnos, apenas com as paradas necessárias para manutenção de equipamentos, calcula o diretor. O tamanho atual da fábrica é resultado de um pacote de R$ 37 milhões em investimentos desde 1998, quando a capacidade era de 70 milhões de litros por ano. "Mas naquela época vendíamos anualmente 30 milhões de litros". De acordo com o executivo, a empresa não pretende colocar seus produtos fora do Rio Grande do Sul, e sim reforçar a operação dentro do território gaúcho. A Fruki tem dois centros de distribuição, um em Porto Alegre e outro em Osório, no litoral norte, e vai implantar mais cinco a partir deste ano até 2009, nas regiões sul, nordeste, norte e centro do Estado. O investimento total será da ordem de R$ 10 milhões, basicamente em equipamentos e veículos, porque os prédios serão todos alugados. Com 250 funcionários e uma frota própria de 40 caminhões (além de 30 terceirizados), mais 40 automóveis e 85 motos para os vendedores, a Fruki atende hoje 24 mil dos cerca de 55 mil pontos de vendas de refrigerantes no Estado, incluindo bares, restaurantes e as principais redes de supermercados. Nos próximos quatro anos, a meta é chegar a 80% dos pontos, já que os 20% restantes mantêm contratos de exclusividade com outras marcas, explica Eggers. Os refrigerantes Fruki foram lançados em 1971, junto com a mudança do nome original da empresa fundada em 1924 pelo empresário Emílio Kirst. O nome faz uma alusão à palavra "fruta" agregada às duas primeiras letras do sobrenome do fundador e levou dez anos para ser registrado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) devido à semelhança com a marca "Fruco", de uma fabricante americana de aromas para bebidas, lembra o diretor. Hoje, a marca gaúcha também está registrada na Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile. A idéia, segundo Eggers, é "fechar" toda a América do Sul como medida de proteção contra eventuais concorrentes da região.