Título: Sugestão enfrenta resistências da oposição e do PT
Autor: Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 06/07/2005, Brasil, p. A3

A proposta de apresentada pelo deputado Delfim Netto (PP-SP) e encampada por parte do governo de zerar o déficit nominal em seis anos vai enfrentar resistências na oposição e dentro do próprio PT. Ontem, a esquerda petista, parlamentares da oposição e sindicatos criticaram a proposta, que também foi questionada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) O manifesto mais veemente partiu de 20 deputados petistas - liderados por Paulo Rubem (PE), Chico Alencar (RJ) e Walter Pinheiro (BA) - que lançaram uma declaração conjunta. Na declaração, que pede o afastamento de todos os dirigentes do PT acusados nos atuais escândalo, eles dedicam um parágrafo para atacar a idéia. O assunto, contudo, também foi um dos temas da reunião da Executiva Nacional do PT ontem. No encontro, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) propôs que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, viesse à reunião do diretório nacional no próximo final de semana para prestar esclarecimentos sobre a PEC. Os integrantes, no entanto, decidiram que Palocci deverá debater com os petistas a proposição, mas não nesta reunião. Mas a proposta já foi bastante criticada. "Ela é uma barbaridade. Deu uma recaída autoritária no Delfim, porque só na ditadura consegue aprovar isso. Com imprensa livre e povo na rua, você vai segurar nesse momento gastos com educação e saúde? É querer ver problema na rua", disse Plinio de Arruda Sampaio, um dos fundadores do PT. Ele considera a proposta "absurda" e "despropositada" por aumentar a restrição orçamentária. A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) também criticou a proposta e afirmou que o PT deve, em contrapartida, fortalecer-se para apresentar seus projetos para a economia. Para Ivan Valente (PT-SP), a aproximação do governo federal com o deputado pepista "assusta" a esquerda e é um sinal de que a equipe econômica teme, nesse momento de crise, problemas com setores da direita do país. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) também discorda da proposta. Segundo ele, os tucanos podem apoiar pontos específicos da agenda desenhada por Delfim, mas não os princípios gerais da idéia. "O país já reúne condições para buscar alternativas a essa política econômica e fazer mais investimentos públicos", afirmou Dias, lembrando que o próprio PSDB tinha divisões internas entre monetaristas e desenvolvimentistas, principalmente no fim do governo Fernando Henrique Cardoso, com divergências em torno da capacidade de gastar do Estado. Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, a maior preocupação é a desvinculação maior de verbas hoje obrigatoriamente destinadas a áreas como saúde e educação. Paulinho acha que são as áreas que melhor funcionam no país e que não há garantias de queda dos juros caso o aperto fiscal seja maior. "Não vamos concordar com nada disso", disse ele, que reclamou que o movimento sindical não foi convidado para o jantar de ontem onde a proposta seria discutida.