Título: Argentina não terá salvaguarda automática, diz Amorim
Autor: Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 06/07/2005, Brasil, p. A5
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou ontem que os governos do Brasil e da Argentina discutirão nesta semana a criação de um mecanismo de salvaguardas (barreiras comerciais) no comércio entre os países, mas informou que um dos obstáculos na negociação é a falta de consenso sobre se a medida servirá também para importação de produtos do país vizinho para o mercado brasileiro. Amorim garantiu que outro problema já foi resolvido, com a decisão de descartar a idéia de "gatilhos", indicadores de câmbio ou de crescimento econômico que autorizariam a aplicação automática das salvaguardas. "Salvaguardas não podem ser unilaterais nem automáticas", afirmou Amorim à imprensa depois de se despedir do ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália, Gianfranco Fini. "Continuamos o diálogo e queremos um processo de consultas; a integração econômica é um aprendizado." Na sexta-feira, representantes dos dois países vão discutir a proposta de adoção de salvaguardas, chamadas Cláusulas de Adaptação Competitiva (CAC). O objetivo dos argentinos é limitar a entrada de mercadorias brasileiras nos segmentos onde haja risco de prejuízo à indústria local. Os argentinos ouviram do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que o Brasil concordaria em discutir a criação do mecanismo, antes considerada inaceitável no governo, e hoje vista como inevitável pela maioria da equipe brasileira. O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, é, porém, o maior opositor da idéia. Sintomaticamente, apesar de convidado para a reunião de sexta-feira, o secretário-executivo do Desenvolvimento, Márcio Fortes, não participará. Fortes participará apenas de outra reunião bilateral entre argentinos e brasileiros, amanhã, no âmbito da Comissão de Monitoramento do Comércio. Na pauta estarão as discussões sobre o comércio de têxteis, calçados e vinho. Também será verificado o andamento dos compromissos já firmados nos segmentos de fogões, geladeiras, máquinas de lavar roupas e televisores. Quanto aos têxteis, a reunião de amanhã vai tratar do comércio de tecidos de algodão, fios de algodão, fios acrílicos e denim. Os argentinos querem incluir mais produtos nesse monitoramento. No mercado de calçados, os produtores brasileiros concordam em limitar suas exportações para a Argentina em 16 milhões de pares por ano. Os argentinos insistem em 13 milhões. O Brasil também quer impor cotas para a entrada de vinhos argentinos de baixa qualidade.