Título: Projeto de integração das bolsas da AL ganha US$ 200 mil do BID
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 07/07/2005, Finanças, p. C8
SÃO PAULO - O projeto de integração dos mercados de ações da América Latina começa a decolar. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) acaba de aprovar a liberação de US$ 200 mil para financiar a primeira fase do projeto, orçada em US$ 430 mil. Os US$ 230 mil restantes virão das próprias bolsas da região e da Federação Ibero-Americana de Bolsas de Valores (Fiab). " Esse apoio do BID é um selo de qualidade e mostra a importância do projeto " , afirma Raymundo Magliano Filho, presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
O projeto tem dois objetivos. O primeiro é promover a harmonização das regras para ofertas públicas de ações em toda a América Latina. Com isso, será possível, por exemplo, que uma empresa brasileira faça uma oferta de ações regional. As regras básicas, segundo Cristina Pereira, assessora de desenvolvimento e relações internacionais da Bovespa, já são bem parecidas entre os diversos países, mas falta harmonizar alguns pontos, como os prazos e as informações do prospecto.
O segundo ponto é o reconhecimento mútuo das ações listadas nas bolsas dos vários países da região, que hoje não existe. Com esse reconhecimento, haverá a possibilidade de um investidor brasileiro comprar ações no Chile (ou qualquer outro país da região) e vice-versa. Ao mesmo tempo, será feito um esforço para a padronização da divulgação de informações das empresas, para que sejam feitas, preferencialmente, por meio eletrônico.
Em setembro, a Fiab apresentará o projeto mais detalhado e o cronograma das operações em seu encontro anual, que será realizado na Costa do Sauípe (BA). O vento terá representantes do BID e entre os brasileiros, estará Marcelo Trindade, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O dinheiro recebido pelo BID terá vários usos. Entre eles, a contratação de consultorias para a elaboração de estudos sobre a integração, inclusive do ponto de vista tecnológico. Outra parte será gasta para viabilizar reuniões periódicas das comissões que cuidam do projeto. A integração inclui as bolsas da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, México, Panamá, Peru, Uruguai e Venezuela.
A Bovespa e a Bolsa do México já estão em fase avançada de elaboração de um projeto piloto para a integração dos dois mercados a partir de 2006. O projeto servirá como modelo para os demais países da região. A integração se dará por meio das corretoras correspondentes: uma corretora aqui se associa a uma corretora mexicana e, com isso, será possível a um brasileiro negociar ações no México (e vice-versa).
Na integração Bovespa e a Bolsa do México, o objetivo é avançar o máximo possível sem fazer muitas mudanças na regulação, o que poderia demorar anos e inviabilizar o projeto.
Para Magliano, a idéia da integração (que também agrada ao BID) é permitir que o dinheiro dos investidores fique na América Latina. Hoje, um fundo de pensão mexicano que queira comprar ações da Embraer, não pode comprar na Bovespa. Mas na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) pode. Com isso, o dinheiro, que poderia ficar na região, vai para Nova York. " A falta de poupança é uma das grandes fragilidade dos países latino-americanos. Por isso, é bom evitar a fuga dos recursos " , diz Magliano.