Título: Mantega quer redução de gastos sem sacrifício social
Autor: Claudia Safatle
Fonte: Valor Econômico, 08/07/2005, Brasil, p. A2

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, criticou parte da proposta de déficit zero do deputado Delfim Netto (PP-SP). Segundo ele, o deputado propõe que se "olhe mais para o resultado nominal do que para o resultado primário". Mas na sua avaliação o governo deve se esforçar para reduzir o gasto público, principalmente de custeio, que segundo ele, deve "ser perseguido através de maior eficiência do gasto". Ao avaliar que a proposta ainda é "incipiente" e ainda precisa ser amadurecida, ele propôs o aprofundamento da discussão para "ver os efeitos colaterais" das medidas. Mantega, que participou do jantar na terça-feira em Brasília, no qual Delfim Netto explicou o seu plano para parlamentares, ministros e empresários, detalhou as observações que fez na reunião. Ele acha que é preciso garantir o crescimento sustentado do país, o que passa pela redução da taxa de juros real da economia, hoje superior a 13%, para algo entre 3% e 4% ao ano, equiparando o Brasil a outras economias emergentes. Mesmo frisando que defende o esforço de redução dos gastos públicos por meio de maior eficiência da gestão, Mantega acha que isso não pode ser feito "com o sacrifício da ação social" e nem do investimento público. Por último, ele também sugeriu que sejam tomadas medidas monetárias , citando como exemplo uma mudança na composição da dívida pública brasileira, indexada à Selic. "Hoje 60% da dívida pública é indexada à Selic e você deveria ter mais títulos prefixados", disse. "Se você tivesse outra composição da dívida, subiria (os juros) meio ponto percentual e teria a mesma eficácia (sobre a inflação). Porque estaria impondo perdas aos que estão no mercado. Mas aqui no Brasil você não impõe perdas, impõe ganhos", criticou