Título: Sayad visita países para fazer campanha
Autor: Tatiana Bautzer
Fonte: Valor Econômico, 08/07/2005, Finanças, p. C3
Sucessão no BID Candidato do Brasil disputa presidência do banco com adversários da Colômbia e da Nicará
O candidato brasileiro à presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), João Sayad, está fazendo uma viagem de "campanha" por três semanas pela América Latina. Depois de passar pelo Caribe, ontem Sayad estava deixando o Panamá. Hoje o candidato, atual vice-presidente do BID, está em Honduras. Na próxima semana visita países da América do Sul. Nos próximos dias 25 e 26, Sayad deve voltar a Washington para reuniões com representantes de países do G-7, que participarão da votação para eleger o novo presidente do BID. A eleição está marcada para o dia 27. Quando possível, Sayad está sendo acompanhado no périplo pela América Latina pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, mas mais freqüentemente pelo corpo diplomático do país visitado. Sayad já tem dois adversários indicados, o embaixador da Colômbia em Washington, Luis Alberto Moreno, e o presidente do Banco Central da Nicarágua, Mário Alonso. Os países têm até dia 16 para apresentar candidaturas e o grande suspense é a possibilidade de apresentação de um candidato pela Argentina. O candidato colombiano tem procurado colocar-se como o preferido pelos Estados Unidos, embora os americanos não tenham declarado o voto ainda. O México, de quem Moreno declarou ter recebido o apoio, divulgou uma nota ontem dizendo que o presidente Vicente Fox ainda não tomou a decisão. Sayad tem boas chances de vitória, por já estar acompanhando a situação do banco e ter experiência acadêmica e administrativa relevantes. Pouco depois de anunciar sua renúncia, o presidente do BID, Enrique Iglesias, alertou para a necessidade de se evitar na eleição atual "o que ocorreu na disputa pela secretaria-geral da Organização Mundial do Comércio", quando Brasil e Uruguai lançaram candidatos diferentes e dividiram os votos de países em desenvolvimento. O presidente argentino, Nestor Kirchner, chegou a mencionar recentemente que indicaria um candidato do país à presidência do BID, que poderia ser o embaixador do país em Washington, Jose Octavio Bordon, ou o economista Aldo Ferrer. Mas a possibilidade de sucesso da Argentina na empreitada não é muito grande, em meio à irritação dos países do G-7 com as perdas de seus investidores nos bônus do país, e as negociações difíceis com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mesmo com poucas chances, a apresentação de mais um candidato poderia dividir ainda mais os votos. Uma fonte ligada à campanha brasileira disse não acreditar que a Argentina lançasse um candidato. Mas a representação do país na sede do BID, em Washington, diz que nenhuma decisão foi tomada até agora. A Bolívia não apresentará candidato. Enrique Garcia, boliviano que dirige a Cooperación Andina de Fomento (CAF) em Caracas, Venezuela, não tem interesse no cargo, segundo a assessoria de imprensa da CAF. Ainda há dúvidas sobre a possibilidade de um candidato peruano.