Título: Presidente tem perfil de unificador
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Fonte: Valor Econômico, 11/07/2005, Política, p. A5
Ao escolher o gaúcho Tarso Genro para suceder José Genoino, o PT coloca na presidência um nome aparentemente à prova de novos escândalos e, embora afinado com as correntes mais moderadas, o mais capaz de tentar unificar as diferentes alas do partido para enfrentar a crise deflagrada pelas denúncias de compra de apoio de deputados da base aliada. Depois de defender, no fim do ano passado, uma aproximação com o PSDB para desenvolver um "projeto nacional soberano" acima de "pequenas diferenças eleitorais", ele também se credencia como o principal interlocutor junto à oposição para buscar um fim de mandato menos turbulento para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Rio Grande do Sul, Tarso disputou as duas últimas prévias do partido contra as correntes de esquerda, em especial a Democracia Socialista (DS) e a Articulação de Esquerda. Na primeira, superou Raul Pont e se credenciou para disputar a Prefeitura de Porto Alegre, em 2000. Eleito novamente para o cargo que já havia ocupado entre 1993 e 1996, renunciou menos de dois anos depois da posse para disputar o governo do Estado após a prévia em que derrotou o atual ministro das Cidades, Olívio Dutra. Na eleição, ele foi derrotado pelo atual governador, Germano Rigotto (PMDB). Tarso não faz parte da Articulação Unidade na Luta, mas recebeu o apoio da corrente do presidente Lula nas duas ocasiões. Ele também ajudou a organizar o Movimento PT, uma tendência moderada que disputará o Processo de Eleição Direta (PED) do partido, em setembro, com a candidatura da deputada federal gaúcha Maria do Rosário. Mesmo assim, o ex-ministro da Educação vinha apoiando a reeleição de Genoino. Na prática, Tarso acaba se colocando em uma posição de centro dentro do PT, o que pode lhe ajudar a dialogar com as correntes à esquerda e à direita e levar adiante o que chama de "reforma política" no partido. Em artigo publicado sexta-feira no jornal "Folha de S. Paulo", ele defendeu que o conselho de ética investigue a responsabilidade dos dirigentes acusados no escândalo do mensalão e inclusive se eles "agiam ou não em nome de uma política do próprio PT". A declaração, feita antes de ser escolhido como sucessor de Genoino, reforça a imagem de seriedade e correção que o dirigente ostenta.