Título: Construção de rede latino-americana alia Telmex e Siemens
Autor: Heloisa Magalhães
Fonte: Valor Econômico, 12/07/2005, Empresas, p. B3

Telefonia Embratel e outras operadoras do grupo mexicano vão participar do empreendimento

A Telmex fechou um contrato com a Siemens para a instalação de uma rede latino-americana de telecomunicações. A instalação, que já começou no México, vai incluir a Embratel, que é controlada pela companhia mexicana. As operadoras controladas por Carlos Slim, dono da Telmex, em outros seis países - Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Estados Unidos - também participarão do empreendimento. O anúncio foi feito ontem por Hermann Rodler, principal executivo da Siemens na região das Américas. Ele não informou o valor do contrato, sob a alegação de confidencialidade. Procurada pelo Valor, a Embratel, por sua vez, não quis comentar o assunto. Trata-se de uma rede NGN (Next Generation Network), como é batizada o sistema no jargão técnico. A meta é trazer a facilidade de transmitir dados, voz e imagens pela mesma infra-estrutura. E isso segundo o protocolo de internet (IP), que permite redução de custos para o prestador e o consumidor dos serviços. O contrato deixa de fora as empresas de serviços móveis do grupo de Slim e não inclui a Net. Segundo Rodler, no entanto, pode haver um aditivo ser for do interesse da operadora brasileira de TV a cabo integrar-se à rede. NGN, protocolo IP e infra-estrutura móvel estão entre os centros da estratégia para o futuro próximo da Siemens que, ontem, realizou um seminário para jornalistas latino-americanos. Além de Rodler estarão no Rio até amanhã Manfdred Rauh, o cabeça dos negócios da companhia alemã nas Américas e os principais executivos da área de telecomunicações no Brasil, como vice-presidente Aluízio Byrro e o diretor da área de redes das teles, Aleix Facchina. Eles apresentaram parte da estratégia da companhia na região, que responde por 13% do volume total de negócios do grupo alemão em telecomunicações. Byrro lembrou, ontem, que a Siemens vai enfrentar no país o desafio de reconquistar volume de faturamento. A subsidiária vai perder cerca de R$ 1,1 bilhão na receita de R$ 3,3 bilhões anuais na área de telecomunicações no Brasil com a venda da divisão que fabrica celulares no país para a taiwanesa BenQ. A venda foi anunciada no início de junho. Apenas as exportações de telefones celulares somam hoje US$ 100 milhões do total de US$ 250 milhões que a área de telecomunicações da Siemens vende para o exterior. Segundo Byrro, a divisão de terminais celulares era bem-sucedida no Brasil mas não tinha o mesmo resultado na Europa, o que levou a matriz, na Alemanha, a optar por desfazer-se do negócio. O impacto, porém, ainda não será sentido no resultado do próximo ano fiscal da Siemens, que termina em setembro, pois o período de transferência dos ativos é até novembro. Rauch e Rodler mostraram que o foco na telefonia IP e a mudança do modelo de negócios das teles fixas, com a reestruturação de preços e custos, já está acontecendo. Com a tecnologia IP, perde peso na receita das empresas o serviço de voz, que responde por quase 80% do faturamento das operadoras brasileiras. Empresas do Canadá e da Coréia já oferecem tarifas fixas de serviço de voz, independentemente para onde o assinante fale. Já o valor cobrado pelo serviço de banda larga é que oscila, dependendo do tipo de serviço escolhido pelo assinante. Rodler também chamou atenção para o crescimento das redes IP e a unificação dos serviços, que está acabando com as fronteiras entre operadoras de televisão a cabo e teles tradicionais. Mas a Siemens aposta no aumento do faturamento em serviços (mais 8% até 2007) e equipamentos (mais 4%) para as teles devido à demanda por novas tecnologias e ao aumento da complexidade da redes. Byrro explicou que a Siemens vai deixar de fabricar celulares, mas continua procurando soluções para a produção do chamado Bluephone, telefone com tecnologia Bluetooth que une as redes de telefonia fixa e móvel. O sistema permite interconexão com redes WiFi e facilidades como o cliente, em casa, usar o telefone e pagar tarifa fixa, como acontece na Inglaterra por meio de um serviço oferecido pela British Telecom. Outro desafio para a Siemens é o telefone IP, já usado nas empresas mais ainda com custo alto e pouco acessível para o usuário residencial. O aparelho visa substituir a conversa pela rede IP hoje feita por meio do computador