Título: PFL expulsa deputado da Igreja Universal
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 13/07/2005, Política, p. A8

A Executiva Nacional do PFL expulsou ontem, sumariamente, o deputado João Batista (SP) da legenda, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, que foi detido pela Polícia Federal, na manhã de segunda-feira no aeroporto de Brasília com mais de R$ 10 milhões transportados em sete malas. O objetivo do partido foi tentar não se envolver com o caso, mesmo depois que da Universal ter admitido publicamente que é a proprietária do dinheiro. Parte do PFL tentou defender o bispo, porém a cúpula partidária estava fechada em favor da expulsão. O líder do partido na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), que defendeu o deputado dentro do partido, publicamente pediu que seu caso fosse levado à investigação do Conselho de Ética da Câmara. Embora o objetivo da expulsão era evitar que a imagem do dinheiro atingisse o partido, a argumentação oficial para a expulsão do parlamentar foi de que não é parte da missão partidária e parlamentar o transporte de dinheiro e o recolhimento de dízimos. "Nada temos contra a Igreja Universal, nem fazemos qualquer pré-julgamento a respeito dos atos do bispo João Batista, mas consideramos que tais ações são incompatíveis com o exercício parlamentar e a missão partidária", afirmou o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). A iniciativa tenta blindar a imagem do partido, que já sofreu, em 2002, com a apreensão de cerca de R$ 1,4 milhão na empresa Lunus, do marido da senadora Roseana Sarney, no Maranhão. Na época a senadora era pré-candidata do partido à sucessão presidencial, mas abandonou o projeto por causa do escândalo. Segundo o PFL, o deputado João Batista da Silva tem 61 anos, é economista e técnico em contabilidade. Ocupou os mais altos postos na Rede Record antes de começar sua carreira política no PFL, ao qual se filiou em 2001. Foi diretor-presidente da Rede Record de Televisão, entre 1992 e 1996, diretor-presidente da Rede Família de 1998 a 2002, e diretor-presidente da Rede Mulher de 1999 a 2002. É, atualmente, o presidente da Igreja Universal do Reino de Deus. O deputado fez um discurso de defesa no plenário da Câmara. Defendeu a legalidade de sua atuação, lembrando que estava atuando como pastor e que não pôde depositar o dinheiro porque o evento da igreja em Manaus ocorreu no fim de semana - quando as agências bancárias estavam fechadas -, que a Igreja precisava rapidamente do dinheiro em São Paulo e que nenhum banco quis o depósito de tão alto valor por apenas um dia, na segunda. Ele ainda utilizou de emoção para justificar o zelo no transporte pessoal do dinheiro da igreja. "Eu já fui alcoólatra, larguei mulher e filhos, pensei em me suicidar, mas encontrei a igreja que mudou a minha vida e hoje ela é tudo para mim", disse para o plenário cheio, inclusive de líderes do PFL. (HGB)