Título: Supremo nega pedido de liberação do dinheiro da Igreja Universal
Autor: Thiago Vitale Jayme e Ivana Moreira
Fonte: Valor Econômico, 14/07/2005, Política, p. A8

A vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, negou o pedido da Igreja Universal do Reino de Deus para a liberação dos R$ 10,2 milhões apreendido pela Polícia Federal na segunda-feira. O deputado federal e presidente da Universal João Batista Ramos (sem partido-SP) foi flagrado pelos agentes quando embarcava em um avião particular da igreja na manhã de segunda-feira, em um hangar do Aeroporto Internacional de Brasília. Ontem, os advogados da Universal protocolaram mandado de segurança junto ao STF para tentar a liberação do dinheiro. A ação da Universal contesta o ato de apreensão comandado pelo delegado David Sérvulo Campos, da superintendência de Brasília. Ele coordenou a ação contra o jatinho da igreja. Ellen Gracie negou o pedido. A ministra considerou o STF incompetente para julgar atos da Polícia Federal. Os cinco advogados da Universal devem pedir a liberação do dinheiro à Justiça Federal, no entendimento da magistrada. Ao tentar argumentar que o valor apreendido não é exorbitante para os padrões da Universal, os advogados revelam que a instituição paga, mensalmente, R$ 12,9 milhões no aluguel de templos e residência de pastores. A Universal acusa a PF de excesso na ação contra o deputado federal. "Fez mediação absolutamente desproporcional aos elementos que possuía para formar juízo preliminar de convicção" sobre a origem dos R$ 10,2 milhões, escreveram os advogados da igreja. A Universal diz também que os policiais agiram sobre influência das "constantes informações de condutas ilícitas que ora permeiam o cenário político atual do país no governo federal". Ontem, o PFL de Minas decidiu expulsar o deputado estadual George Hilton dos Santos, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, flagrado com caixas de dinheiro e cheques no domingo, no Aeroporto da Pampulha, na capital mineira. O deputado, que foi eleito pelo PL, desembarcou no fim da tarde do domingo acompanhado do vereador de Belo Horizonte Carlos Henrique Alves da Silva (PL), vindo de Poços de Caldas num avião fretado da Líder Táxi Aéreo. O vereador também é pastor da Universal. A Polícia Federal, que foi acionada pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), registrou boletim de ocorrência mas não apreendeu o dinheiro que estava em 11 caixas de papelão. O delegado Domingos Reis, diretor regional da PF em Minas, explicou ontem, em coletiva à imprensa, que não havia motivo para apreender o dinheiro ou prender o deputado e o vereador. "Foi um caso isolado, não havia indício de ilicitude." O boletim de ocorrência foi encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e será anexado ao inquérito que investiga a origem dos R$ 10 milhões apreendidos em Brasília, na segunda-feira, com João Batista Ramos da Silva. As investigações serão coordenadas pela PF do Distrito Federal, que analisará os dois casos conjuntamente. Os agentes estranharam o fato de o dinheiro, alegadamente fruto de dízimo pago por fiéis, ser formado por cédulas novas e com números em série. Essa numeração poderá ser a pista para o rastreamento da circulação do dinheiro. Diferentemente do PFL, o PL não quis se pronunciar sobre o flagrante do vereador de Belo Horizonte Carlos Henrique Silva. Para o diretório mineiro do partido, trata-se de "questão religiosa".