Título: Falta de regra do BC impede crédito à Varig
Autor: Vanessa Adachi e Sérgio Bueno
Fonte: Valor Econômico, 14/07/2005, Empresas, p. B2
Aviação
O Banco Central ainda não regulamentou como ficará a classificação de risco ("rating") dos empréstimos concedidos pelos bancos a empresas que, como a Varig, estão em recuperação judicial. Esse fator, aliado à falta de familiaridade dos bancos com os mecanismos da lei de recuperação de empresas, tem dificultado a obtenção de dinheiro novo pela aérea, segundo uma fonte que acompanha as negociações. Os empréstimos concedidos dentro do processo de recuperação são considerados extra-concursais, têm prioridade de recebimento em relação a débitos anteriores da empresa. Mas o BC ainda não definiu qual o "rating" que os bancos devem atribuir a esses empréstimos em seus balanços. Até a noite de ontem a Varig ainda não havia fechado o nome da instituição financeira que será contratada para assessorar a sua reestruturação. O nome mais cotado continuava sendo o do suíço UBS. Outros mencionados no mercado financeiro eram Merrill Lynch e Blackstone, que é associado no país ao Pátria Banco de Negócios. Segundo o Valor apurou, as negociações com o UBS para conquistar o mandato da Varig não envolvem um empréstimo à companhia aérea, como tem sido dito. Já faz muitos anos que a instituição suíça não tem operações de crédito no Brasil. Sua especialidade por aqui são operações de captação de recursos via emissão de dívida ou ações no mercado de capitais, além de fusões e aquisições. A versão que vem circulando é que a Varig estaria exigindo um empréstimo - da ordem de US$ 50 milhões a US$ 100 milhões- logo na entrada como contrapartida à contratação do banco. Ontem, em Porto Alegre, os acionistas da Varig reunidos em assembléia geral extraordinária aprovaram, quase por unanimidade, o pedido de recuperação judicial apresentado em junho pela companhia aérea. A associação dos pilotos (Apvar) se absteve devido à "falta de transparência" em torno do processo, disse o vice-presidente da entidade, Márcio Marsillac. A Interunion Capitalização, minoritária da Varig, se queixou do fato de a decisão de pedir a recuperação não ter sido discutida anteriormente com os acionistas. O prazo de 60 dias para a apresentação do plano de recuperação da Varig aos credores começou a contar ontem, um dia depois da publicação, no Diário Oficial do Rio de Janeiro, da decisão do juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio, Alexander Macedo, que aceitou o pedido de recuperação judicial no dia 22 do mês passado. Conforme o advogado Marcelo Carpenter, do escritório Sérgio Bermudes, que assessora a empresa, o plano será concluído no prazo e o diálogo com os credores é "permanente". A nova companhia aérea estatal da Venezuela, Conviasa, deve comprar ainda este ano a participação de 49% da Varig na uruguaia Pluna, anunciou ontem o ministro do Turismo venezuelano, Wilmar Castro. "Um cenário possível seria comprar a participação da Varig, fazer uma aliança estratégica entre a Conviasa e a Pluna e consolidar uma joint-venture para aproveitar os equipamentos e rotas", disse ele.