Título: PIB e exportações do campo em ritmo de desaceleração
Autor: Fernando Lopes
Fonte: Valor Econômico, 14/07/2005, Agronegócios, p. B12

Novos levantamentos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq) divulgados ontem reforçaram o pessimismo do setor quanto ao desempenho dos agronegócios nacionais neste ano. Por conta principalmente do aumento de custos, da quebra da safra de grãos no Sul do país e do câmbio menos favorável às exportações, a nova previsão para a desaceleração do ritmo de aumento do PIB do campo em 2005 é mais acentuada. Agora, CNA e Cepea estimam que o PIB do agronegócio (incluindo todos os elos da cadeia) alcançará R$ 535,09 bilhões no ano, apenas 0,2% mais que em 2004. O magro crescimento previsto calculado com base em resultados apurados de janeiro a abril - decorre da queda de 12,3% estimada para o PIB da agricultura e da estagnação projetada para o PIB da pecuária. O resultado da equação é a baixa de 7,3% prevista para o PIB da agropecuária, que deverá totalizar R$ 148,94 bilhões neste ano. De acordo com CNA e Cepea, o faturamento da agropecuária, medido pelo conceito de valor bruto da produção (VBP) e que inclui 25 produtos, deverá atingir R$ 167 bilhões em 2005, ante R$ 195,7 bilhões no ano passado. Só o VBP da soja deverá cair 39,5%, para R$ 24,9 bilhões. "No curtíssimo prazo, pode parecer que a conjuntura tem um efeito positivo sobre a inflação, já que os preços dos alimentos estão em queda. Mas a verdade é que as perdas dos produtores terão reflexo sobre outros setores e sobre a sociedade como um todo", lamentou Getúlio Pernambuco, chefe do Departamento Econômico da CNA. Segundo ele, a recente recuperação das cotações de produtos como soja e milho no exterior não serão capazes de alterar os rumos da desaceleração por causa do câmbio. "E esta descapitalização do produtor terá reflexos sobre as próximas safras", afirmou ele. Ainda assim, são as exportações as grandes responsáveis pela previsão de variação positiva para o PIB do agronegócio em 2005. Com base nos resultados do primeiro semestre, CNA e Cepea passaram a estimar o superávit da balança do campo em US$ 35 bilhões no ano, ante US$ 34,1 bilhões em 2004. Antônio Donizeti Beraldo, chefe do Departamento de Assuntos Internacionais e de Comércio Exterior da CNA, lembrou que para as exportações pesam os bons desempenhos de áreas como carnes e açúcar e álcool. "Mas, pela primeira vez em muito tempo, tivemos em junho exportações menores que no mesmo mês do ano anterior, e essa tendência deve continuar", disse. Novos cálculos da MSConsult também divulgados ontem apontam para um superávit de US$ 28,6 bilhões para o agronegócio (o balanço envolve menos produtos) neste ano, ante os US$ 27,7 bilhões do ano passado. A consultoria estima que a receita advinda dos embarques do complexo soja, carro-chefe do campo brasileiro, cairá 13,8%, para US$ 8,7 bilhões.