Título: Valério pede proteção policial a procurador-geral
Autor: Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 15/07/2005, Política, p. A6

O publicitário Marcos Valério esteve ontem com o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, confirmou o Ministério Público Federal. A conversa foi sobre o envolvimento dele e das empresas nas denúncias de pagamento de propina a parlamentares. Os detalhes da conversa são sigilosos, mas já se sabe que Valério pediu benefícios como réu caso venha a ser condenado em troca de colaboração nas investigações. Ele também pediu proteção policial. Segundo o MP, a audiência durou uma hora. Mas a assessoria de Marcos Valério confirma que ele esteve na Procuradoria, por oito horas. Ontem, membros da CPI Mista dos Correios embarcaram de Brasília para Belo Horizonte para analisar documentos contábeis da agência DNA Propaganda apreendidos pela manhã na casa do irmão de um dos contadores do empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser operador do mensalão. Os documentos, as últimas vias de notas ficais de prestação de serviços, estavam em 12 caixas do tipo arquivo no terreiro da casa do policial aposentado Marco Túlio Prata. Além das caixas, os policiais de Minas encontraram dois tambores com restos de notas fiscais queimadas. A operação de apreensão na casa do policial aposentado, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, envolveu as Polícias Civil e Federal e o Ministério Público Estadual. Com a quebra do sigilo telefônico do policial, o MP obteve informações de que documentos da DNA haviam sido transferidos para a casa do carcereiro aposentado Marco Túlio Costa antes da apreensão de documentos e computadores no escritório de contabilidade Prata, Castro e Associados realizada no dia 23 junho, pela Polícia Federal. O carcereiro aposentado é irmão do contador Marco Aurélio Costa, sócio do escritório de contabilidade que presta serviços para Marcos Valério de Souza. O policial aposentado já vinha sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais por assassinato e suspeita de tráfico de armas. O fato facilitou a ação do Ministério Público que conseguiu um mandado para a prisão preventiva do carcereiro e outro para busca e apreensão na residência do policial aposentado. Os policiais chegaram à casa de Marco Túlio, no bairro Flamengo, por volta das 6h. O aposentado atendeu os policiais com uma arma em punho, fazendo ameaças. Na residência foi encontrado, além das caixas de documentos da DNA, um grande arsenal de armas, incluindo granadas e metralhadoras de uso restrito das Polícias Civil e Militar. Marco Túlio foi preso em flagrante, junto com o filho Vinicius Prata. Segundo o delegado da Polícia Civil Élder Dângelo, as notas fiscais da eram relativas à prestação de serviços para pessoas jurídicas, incluindo bancos e órgãos públicos. O policial informou que as notas que viu não tinham valores extremamente elevados. A comitiva de parlamentares enviada a Belo Horizonte chegou à sede da Secretaria Estadual de Defesa Social, por volta de 21h. São cinco parlamentares: os senadores Sibá Machado (PT-AC) e Heloísa Helena (P-Sol-AL) e os deputados federais Eduardo Paes (PSDB-RJ), Onyx Lorenzoni (PFL-RS) e Jamil Murad (PCdoB-SP). Chefes da Polícias Civil e Federal e do Ministério Público aguardavam os parlamentares para análises das caixas apreendidas. Cópias das notas fiscais seriam preparadas para a CPI Mista dos Correios. A direção do escritório de contabilidade Prata, Castro e Associados não quis dar entrevista sobre a apreensão. De acordo com funcionários, a empresa vai aguardar a convocação oficial para prestar esclarecimentos. O mesmo informou a assessoria de imprensa da DNA. Outra agência de Marcos Valério, a SMP&B, não quis entrar em detalhes sobre o cheque sacado pelo ferroviário Jonas de Pinho em sua conta corrente no Banco Rural. O ferroviário morreu em dezembro de 1999, aos 81 anos, mas o saque em seu nome foi feito em julho de 2003. Falando por telefone à "Rede Globo", Jonas de Pinheiro Filho negou ontem ter conhecimento sobre o uso dos documentos do pai para o saque de R$ 152 mil da conta da agência SMP&B. O saque consta do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Pinho Filho, que trabalha na produtora I-3, em Belo Horizonte, afirmou não conhece o empresário Marcos Valério. (IM, com agências noticiosas)