Título: PF recolhe documentos referentes a saques
Autor: Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 15/07/2005, Política, p. A6
Em duas ações de busca e apreensão em agências do Banco Rural realizadas na tarde de quarta-feira, a Polícia Federal recolheu documentos referentes aos saques efetuados das contas da agência SMP&B Comunicação, do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser operador do mensalão. Indícios de irregularidades foram encontrados pelos agentes: em boa parte dos registros de saques vultosos não consta a identificação do sacador. As investidas foram feitas em uma agência de Belo Horizonte e em outra de Brasília. No documento repassado pela instituição financeira consta apenas a agência SMP&B como autora das retiradas. A Lei de Lavagem de Dinheiro determina a existência de um registro do sacador do dinheiro no caso de saques vultosos. Em Brasília, dois delegados, dois peritos, dois agentes e um escrivão foram à agência. Entraram às 17h45 e saíram às 21h. Os agentes estranharam a falta de identificação dos sacadores. A falta da documentação é um dos caminhos a ser seguido pela investigação da PF. A assessoria do banco explicou que os documentos já estava sendo separados para serem entregues à Justiça, ontem. "A documentação contém as informações bancárias oficiais exigidas pelo Banco Central, bem como os documentos administrativos dos Controles Internos do Banco Rural", explicou. Por fim, a assessoria informou que só pessoas autorizadas podem fazer saques em nome de pessoa jurídica. Valério esteve ontem no gabinete do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Prestou esclarecimentos e pediu benefícios em troca de colaboração com as investigações. Outra linha de investigação a ser seguida pelos agentes será colher o depoimento da auditora da auditora fiscal do INSS Maria Auxiliadora de Vasconcellos, presa desde maio por conta de fraudes cometidas no instituto. Em gravação exibida na segunda-feira no "Jornal Nacional", Auxiliadora fala sobre suposto pagamento de mensalidade de empresários fluminenses ao PT. A mesada evitaria a fiscalização pelo INSS a algumas empresas do Rio de Janeiro. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro operaria o esquema, segundo a auditora. A idéia dos delegados da PF é ouvir Auxiliadora para averiguar a relação entre a mesada dos empresários ao PT e o mensalão. Na mesma viagem ao Rio de Janeiro para ouvir a auditora, os delegados aproveitarão para ouvir o procurador da Fazenda Nacional Glênio Guedes, acusado de beneficiar o Banco Rural quando ocupava cadeira no Conselho de Recursos do Sistema Financeiro. Ele teria recebido, também, R$ 902 mil de Valério. Já no inquérito referente à corrupção nas licitação dos Correios, os delegados vão mirar esforços na análise dos documentos obtidos na Comam, fornecedora de material de saúde e informática para a empresa. Arthur Wascheck Neto, dono da companhia, declarou ser o autor da gravação na qual o ex-diretor dos Correios Maurício Marinho recebe R$ 3 mil e revela esquema de desvio de verbas do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em estatais.