Título: Sindicalista tem despedida discreta na saída da CUT
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 15/07/2005, Especial, p. A12

O metalúrgico Luiz Marinho passou os dois últimos dias em São Paulo para arrumar as coisas no antigo local de trabalho: a sede nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no bairro do Brás. No início da tarde de ontem, ele recebeu o Valor e, logo depois da entrevista, partiu para Brasília, onde começa hoje o expediente no Ministério do Trabalho. Foi com jeito manso, meio encabulado, traços da sua personalidade, que Marinho se despediu da CUT. Antes de sair, arrumou rapidamente uma pasta e ironizou: "Se pegarem essa mala só vão encontrar um monte de papéis". O novo ministro do Trabalho deu uma rápida folheada no jornal que estava em cima da mesa de trabalho e despediu-se, com muita discrição de assessores, funcionários e de Wagner Gomes, que é agora o presidente em exercício da CUT. Gomes assumiu de imediato porque ocupava a vice-presidência. Mas, pelo estatuto da entidade, em caso de ausência definitiva do presidente, a direção se reúne para escolher o novo comandante. Marinho prefere ficar fora dessa decisão. "Não vou participar do processo de debate interno de transição, porque como já estou ministro isso não seria recomendável", afirma o dirigente. "Alguém pode achar que seja desejo do governo decidir quem deve ser o presidente da CUT", completa. Marinho diz que está à disposição para conversas sobre a entidade que presidiu desde junho de 2003. "Mas se puderem evitar pedir o meu palpite, seria bom". Wagner Gomes é integrante da Corrente Sindical Classista (CSC), ligada ao PC do B. Ele pertence ao Sindicato dos Metroviários de São Paulo, uma base pequena, de apenas 8 mil trabalhadores, mas com alto índice de sindicalização, em torno de 85%. Desde que a CUT foi criada, em 1983, o comando da entidade ficou por conta exclusivamente da Articulação, corrente mais moderada, da qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é simpatizante. Antes de Marinho, a central foi comandada por Jair Meneguelli e Vicente Paulo da Silva, dois metalúrgicos que seguiram depois para a política, e João Felício, que é da base sindical dos professores de São Paulo (Apeoesp) e também secretário-geral da entidade. (MO)