Título: Amorim vê 'impulso reformista' na ONU
Autor: Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 19/07/2005, Brasil, p. A4

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ontem que sentiu "um impulso reformista" durante encontros que manteve em Nova York para tratar da reforma no Conselho de Segurança da ONU. Ele esteve com o presidente da 59ª Assembléia Geral das Nações Unidas, Jean Ping, e com o presidente eleito da 60ª Assembléia, Jean Eliasson, que vai tomar posse em setembro. No domingo, os ministros do G4 - Brasil, Índia, Japão e Alemanha - se encontraram com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. "Há um desejo de ver a reforma acontecer, de modo que estou otimista", disse Amorim, apesar de reconhecer que não é um processo fácil. " Não é simples, mas acho que há consciência da legitimidade do que se está buscando, que é tornar o Conselho de Segurança um órgão mais equilibrado." Amorim destacou o encontro que o G4 teve no domingo com a União Africana. "Eles permitiram criar um mecanismo que vai compatibilizar as duas resoluções", disse. Segundo o ministro, há concordância generalizada de que os pontos em comum são maiores do que as diferenças. Um grupo técnico formado por integrantes do G4 e da União Africana analisa a proposta de reforma e, no dia 25, os ministros voltam a se encontrar para avaliar o trabalho. O local do encontro ainda será definido. A expectativa é que a proposta de reforma seja votada ainda este mês na Assembléia Geral. A proposta do G4 prevê aumento de 15 para 25 no número de integrantes do Conselho de Segurança e sugere que se aumente o número de assentos permanentes, que hoje é de cinco países - EUA, China, Rússia, França e Inglaterra. A sugestão é abrir mais seis vagas. Para a reforma ser aprovada é preciso aval de dois terços dos países da Assembléia da ONU, ou seja, 128 votos.