Título: Polícia Federal poderá prender o publicitário
Autor: Thiago Vitale Jayme
Fonte: Valor Econômico, 19/07/2005, Política, p. A5
A Polícia Federal já considera a possibilidade de fazer o pedido de prisão preventiva do empresário Marcos Valério, dono das agências de publicidade SMP&B e DNA e acusado de ser o operador do pagamento do mensalão, uma distribuição de dinheiro a parlamentares passado através do PT. Os agentes investigam muito de perto o episódio da queima de documentos da DNA pelo irmão do contador de Valério, descoberta na semana passada em ação do Ministério Público, em Belo Horizonte. Se for comprovada a relevância dos documentos parcialmente incinerados para as investigações e for clara a determinação de Valério na ordem de queima de arquivos, a polícia não hesitará em pedir sua prisão. O chefe do inquérito na PF, o delegado Luiz Flávio Zampronha, enviou um de seus delegados parceiros nas investigações para Belo Horizonte apurar o caso. Com as novas versões para os diversos saques efetuados nas contas da DNA e da SMP&B e da revelação de diversos empréstimos feitos por Valério ao PT, a Polícia Federal irá ouvir o empresário novamente. Ele e o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares serão chamados para depor ainda nessa semana. A PF estranhou a divulgação pela imprensa da informação de que Valério teria entregue ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, uma lista com os recebedores dos saques feitos nas contas do Banco Rural. Quando foi ouvido pela PF, no dia 29 de junho, Valério foi perguntado sobre os saques. O empresário não falou dos empréstimos nem dos sacadores. Para a PF, se a versão dita ao procurador-geral for a verdadeira, Valério mentiu em seu depoimento. Em outra frente da investigação do mensalão, os delegados aguardam ansiosamente pelos documentos a serem enviados pelo Banco Rural à PF. Na semana passada, os agentes fizeram buscas em agências de Brasília e de Belo Horizonte para recolher documentos referentes aos saques. Como as informações estavam incompletas, os agentes aguardam a remessa de documentos da sede do banco em Minas Gerais para descobrir o nome dos sacadores das fortunas retiradas das contas de Valério. A PF quer descobrir se os procedimentos usados pelo Rural no caso dos saques das contas do empresário estão de acordo com as determinações do Banco Central. O banco tem demorado para remeter os documentos pedidos não só pela PF, mas também pela CPI dos Correios. Na semana passada, o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS), encontrou-se com o presidente do BC, Henrique Meirelles, para pedir mais agilidade às instituições financeiras. Além de ouvir Valério e Delúbio, os delegados pretendem colher depoimento de Glênio Guedes, procurador da Fazenda Nacional. Ele teria recebido R$ 902 mil do dono das agências DNA e SMP&B. Além dele, Maria Auxiliadora de Vasconcellos, auditora fiscal do INSS presa desde maio por conta de fraudes previdenciárias, também será procurada. Em gravação exibida no "Jornal Nacional", ela fala sobre suposto pagamento de mensalidade de empresários fluminenses ao PT para evitar a fiscalização. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro operaria o esquema, segundo a auditora.