Título: Serra critica economia e Furlan contesta prefeito
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Fonte: Valor Econômico, 20/07/2005, Brasil, p. A3
O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e o prefeito de São Paulo, José Serra, trocaram farpas ontem sobre a condução da política econômica do país durante a abertura da feira calçadista. Serra, derrotado nas eleições presidenciais de 2002, discursou primeiro. "Nós precisamos de uma política econômica ajustada à necessidade de crescimento", disse. "Não há produtividade, investimento e eficiência que ganhem a corrida contra o câmbio". Ele lembrou que já falava na época do governo Fernando Henrique Cardoso sobre a necessidade de uma "lei de responsabilidade cambial". "Nós já pagamos no passado por não termos percebido o efeito do câmbio". Ele justificou seus comentários sobre economia afirmando que São Paulo depende da conjuntura macro do país. Furlan discursou em seguida. "Sei que o Serra tem mais experiência do que eu sobre a questão do câmbio. Além de ser economista e professor, ele foi ministro na época em que o câmbio foi muito valorizado", disse. Ele contou que o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, garantiu a empresários reunidos Fiesp, no início do plano Real, que a paridade do real com o dólar era uma questão transitória e duraria no máximo 90 dias. Segundo Furlan, o Brasil atravessa conjuntura inédita, com saldo comercial em 12 meses de US$ 39 bilhões. O ministro brincou que os empresários não deveriam ler jornais, para não afetar o ânimo, porque "as notícias de primeira página trazem algum sensacionalismo". "Há uma predominância da cobertura política, que é justificada, mas que está deixando fatores concretos da economia em terceiro e quarto plano", reclamou. (RL)