Título: Deputados suspeitam de conta petista no Rural de BH
Autor: Henrique Gomes Batista, Mauro Zanatta, Sergio Leo
Fonte: Valor Econômico, 20/07/2005, Política, p. A6
Além de todo o levantamento de dados sigilosos da CPI dos Correios, o dia de de ontem foi marcado de intensas investigações pela divulgação das contas bancárias do PT nacional. Os membros da comissão estranharam a existência da conta bancária 602021, aberta pelo partido no Banco Rural na agência 0037, de Belo Horizonte. Todas as outras 15 contas do partido ou estão localizadas em São Paulo (13), sede da legenda, ou em Brasília (2 contas). O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) questionou o ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, sobre a abertura da única conta fora de São Paulo ou Brasília. Pereira respondeu na CPI que não tinha sequer conhecimento da existência da conta. "É muita estranha a abertura desta conta", disse o senador. Os parlamentares dos partidos de oposição suspeitam que a conta tenha sido usada pelo PT para fazer a triangulação com as contas das empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza. Segundo a hipótese de PSDB e PFL, a conta receberia dinheiro diretamente das empresas de Valério por meio da "conta-caixa" da agência. Esta conta é usada pelos bancos para realizar as movimentações financeiras em suas redes internas e nelas não há incidência da CPMF. Embora sejam usadas para movimentações administrativas, há denúncias de que as "contas-caixa" serviriam também para dificultar o rastreamento da transferências de valores entre titulares diferentes. Numa reunião marcada por insistentes negativas de Silvio Pereira, a CPI dos Correios também analisou um requerimento para convocar o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolatto. Ele é acusado pelo contínuo Luiz Eduardo Ferreira da Silva de usar seus serviços para sacar, em no dia 15 de janeiro de 2003, uma quantia de R$ 326,6 mil de uma conta da DNA Propaganda numa agência do Banco Rural no Rio de Janeiro. A DNA é de propriedade do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza,, acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser o operador do mensalão a parlamentares. A oposição quer saber porque o contínuo figura na lista de usuários do Brasília Shopping justamente em dias de saques de dinheiro na agência do Banco Rural. "Pizzolatto chegou ao Banco do Brasil como representante do PT, o que torna provável sua interferência nos contratos de empréstimos que o PT conseguiu com o banco", afirmou o senador Alvaro Dias