Título: Mulher de Marcos Valério e gerente da SMP&B são convocadas para depor
Autor: Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 22/07/2005, Política, p. A6
Como forma de pressão ao empresário Marcos Valério de Souza, os parlamentares da CPI Mista dos Correios decidiram marcar ontem o depoimento da esposa dele, Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, para terça-feira. No dia 2 de agosto serão ouvidos Simone Reis Vasconcelos, gerente financeira da SMP&B, e o policial David Rodrigues Alves. Os sigilos bancários das empresas de Valério, aos quais a comissão já teve acesso, revelam que ambos fizeram os saques mais altos nas contas, que podem chegar a R$ 9,6 milhões e R$ 4,9 milhões, respectivamente. A CPI também aprovou requerimento para que seja feita busca e apreensão de todos os documentos, computadores e agendas utilizadas por Simone Vasconcelos na SMP&B. Os deputados e senadores querem ainda que o Supremo Tribunal Federal envie rapidamente à CPI as documentações apreendidas em Minas Gerais de sigilos do Banco Rural e que revelam os nomes de cerca de 120 destinatários de saques nas empresas de Valério, incluindo parlamentares. Numa reunião fechada que durou quase três horas, os parlamentares avaliaram que não devem aceitar qualquer proposta de acordo de Valério por enquanto. O depoimento de Renilda é que pode funcionar, analisam eles, como instrumento de pressão e forçar Valério a colaborar com as investigações. "Se ele não falar logo, não vai adiantar falar mais nada", afirmou o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Renilda Soares tentou sacar quase R$ 2 milhões numa conta conjunta com Valério no BankBoston na quarta-feira, mas a operação foi bloqueada por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa, na CPI, é que Valério se antecipe ao depoimento de Renilda e volte a fazer declarações, ou na Procuradoria, ou na Polícia Federal, ou à imprensa. Se quiser um acordo, disseram os parlamentares, Marcos Valério deve voltar a negociar com a Procuradoria Geral da República para negociar a delação premiada - redução de pena em troca de colaboração espontânea com a Justiça. Na semana passada, advogados de Valério sinalizaram a integrantes da CPI que ele estava preocupado com o depoimento da esposa Renilda e demonstrou interesse em fazer novas revelações, caso ela fosse poupada de constrangimentos. "Foi uma opinião unânime: em matéria de CPI, não se pode fazer acordos", definiu o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Nos bastidores, os parlamentares acreditam que o temor de Valério com o depoimento da esposa teria razões de foro íntimo, diante do abalo do relacionamento entre eles. Ao depor na CPI, Valério revelou que as suas duas maiores empresas - SMP&B e DNA Propaganda - estão no nome de Renilda. A esposa, explicou ele, não permitiu que as empresas voltassem para o nome dele porque temia uma separação. Os bens do casal foram bloqueados pela Justiça. A CPI aprovou requerimento para que a GDK informe as razões pelas quais doou ao ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira um Land Rover, no valor de R$ 73 mil. O procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, decidiu que as denúncias sobre o mensalão deverão ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).