Título: Troca de C-Bond por A-Bond melhora o perfil da dívida
Autor: Claudia Safatle e Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 25/07/2005, Finanças, p. C3

Limpeza externa Governo avalia retirar todos os títulos velhos do mercado

O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, não descarta a possibilidade de completar, ainda este ano, a troca de toda a dívida reestruturada em C-Bond, já que faltam, agora, apenas US$ 1,2 bilhão nesses papéis. Ele considerou relevante a operação de troca de títulos, que "limpa" US$ 600 milhões em pagamentos anuais de amortizações que teriam de ser feitos em 2006 (ano de eleições presidenciais e que ainda geram alguma tensão nos mercados), 2007 e 2008; e avaliou que uma troca futura dos demais papéis da dívida renegociada em 1994 - que somam hoje cerca de R$ 7,9 bilhões - "dependerá dos benefícios". No caso da operação de troca de C-Bond pelo novo título, o A-Bond, além do benefício financeiro houve um bom sinal com a criação de uma nova classe de papel, um bônus líquido e sem o estigma da moratória de 1987. "Portanto, além de ter a vantagem de precificação e de limpar a curva de juros da dívida, ele tem impacto no fluxo de caixa", comentou, ao assinalar que a troca de papéis retira do cenário de 2006, 2007 e 2008 o pagamento de anual de US$ 600 milhões em amortizações, aproximadamente, já que o novo título só começará a ser amortizado em 15 de julho de 2009. "A troca de outros títulos da dívida externa renegociada dependerá muito das circunstâncias de mercado", disse ele, em conversa por telefone com o Valor. Levy está de férias em Washington. A operação de troca parcial dos C-Bonds em circulação, considerada bem-sucedida pelo mercado, deixou uma clara mensagem, segundo o secretário. "O que o mercado nos disse foi que os investidores não querem sair do Brasil. Eles, com a troca, pediram para continuar com papéis do Brasil, com prazo de vencimento mais longo e sem a opção de resgate antecipado ('call')." Indagado se esse não seria um sinal de certa forma paradoxal, diante da crise política do país, Levy comentou que o mercado confia "que a economia continua com rumo e que estamos trabalhando para resolver a relação dívida/PIB". Na sexta-feira, o Tesouro Nacional divulgou o resultado da operação de troca de C-Bonds por títulos novos. Serão retirados de mercado aproximadamente US$ 4,4 bilhões em papéis da dívida velha e, em seu lugar, serão emitidos um total de US$ 4,4 bilhões em papéis novos - que foram batizados com A-Bonds, sigla que representa "bônus de amortização". Resta em mercado, portanto, US$ 1,2 bilhão em C-Bonds, sobre os quais Levy avalia que "há a possibilidade de trocar esse restante ainda este ano, embora seja prematuro dizer que há essa perspectiva". O A-Bond vencerá entre julho de 2009 e janeiro de 2018, o que significa um alongamento de 3,75 anos em relação ao C-Bond, cuja amortização começou em 2004 e terminaria em 2014. Os bônus novos terão cupom de 8% ao ano, pago semestralmente, a partir de janeiro de 2006. Além do volume residual de R$ 1,2 bilhão em C-Bonds que não foi retirado na operação, ainda restam em mercado R$ 7,9 bilhões em outros sete bônus da dívida externa reestruturada, segundo dados do Tesouro, referentes a junho passado. Sem o C-Bond, o papel velho que se tornou o mais representativo é o Debt Conversion Bond (DCB), com R$ 3,092 bilhões; em seguida, vem o Par Bond, com US$ 1,534 bilhão; e o Discount Bond, com US$ 1,310 bilhão. Após a operação de troca, os títulos velhos passaram a representar apenas 15,6% da dívida externa federal em bônus, que em junho somava US$ 58,294 bilhões. Os bônus globais são os mais representativos da dívida externa, com volume de US$ 38,332 bilhões; e, dentro desse grupo, o BR-40 tornou-se, desde meados do ano passado, o papel mais líquido da dívida externa.