Título: G-4 e África não chegam a acordo sobre reforma de Conselho da ONU
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Fonte: Valor Econômico, 26/07/2005, Brasil, p. A2
Brasil, Alemanha, Índia e Japão, o chamado G-4, e os países da África não conseguiram chegar a um acordo ontem sobre uma proposta comum para a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), após reunião em Londres. Mas os dois lados disseram que continuam comprometidos a trabalhar em conjunto. "Se não trabalharmos juntos para produzir um rascunho da resolução, a reforma das Nações Unidas não avançará", afirmou o ministro de Relações Exteriores da Nigéria, Oluyemi Adeniji, que dirigiu o encontro ministerial. Os chanceleres disseram que teriam que realizar consultas a seus governos nas próximas semanas e não deixaram marcada a data da próxima reunião. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, quer uma decisão sobre a extensão do Conselho de Segurança até setembro. O G-4 e a União Africana desejam ampliar o Conselho, mas possuem propostas diferentes. Enquanto os africanos defendem o poder de veto para os novos membros permanentes, o G-4 abre mão dessa prerrogativa. O Brasil e seus aliados entregaram uma proposta de resolução à ONU que prevê a ampliação do Conselho de Segurança de 15 para 25 membros, com a criação de seis vagas permanentes e quatro rotativas. As vagas permanentes não teriam poder de veto e seriam destinadas a Brasil, Alemanha, Índia e Japão, e duas para países africanos. A União Africana defende a expansão do Conselho para 26 integrantes, também com seis permanentes, mas com cinco rotativas. Os principais candidatos para as vagas permanentes da África são a Nigéria, a África do Sul e o Egito. Para conseguir os dois terços necessários dos 191 votos da Assembléia Geral da ONU e aprovar sua resolução, os países do G-4 precisam do apoio da União Africana, integrada por 53 países. Segundo o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, uma possibilidade de acordo seria abrir uma vaga não-permanente adicional, com Ásia, América Latina, Caribe e África respondendo de forma alternada pelo assento. "Se isso possibilitar um acordo, seria um passo importante", disse Fischer, que rejeitou proposta de poder de veto para os novos membros permanentes. Diplomatas africanos disseram que a Nigéria até concordava em abrir mão do poder de veto, mas sugeriram que outros membros da União Africana haviam ficado indignados. (agências internacionais)