Título: Negociação agrícola fica estacionada na OMC
Autor: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico, 26/07/2005, Brasil, p. A2
A negociação agrícola continua bloqueada e o resto (produtos industriais, serviços, regras etc) também não se move na Organização Mundial de Comércio (OMC). Um grupo de países mais importantes na agricultura reuniu-se ontem, para constatar mais uma vez que diferenças importantes persistem. "Aqui não dá para tirar coelho da cartola", disse o embaixador Clodoaldo Hugueney, ao advertir que o pior que pode acontecer agora é se repetir o ocorrido em Dalian (China), quando o co-presidente da miniconferência de ministros, o secretário de Comércio de Hong Kong, John Tsang, procurou convergências onde não existia. No pilar de acesso ao mercado (corte de tarifas), persiste na mesa a proposta de fórmula do G-20 e o plano da União Européia (UE) que visa reduzir o mínimo possível. No pilar de apoio doméstico (toda subvenção ou outra medida interna que tem o efeito de manter os preços da produção em níveis superiores àqueles do comércio internacional), a pressão está sobre os Estados Unidos. Só que Washington alega não poder fazer nada enquanto não aprovar o Cafta, o acordo de livre comércio com alguns países da América Central. Ontem, as discussões mostraram "principio de convergência" em torno de uma fórmula com três bandas de cortes: a UE corta mais, seguida de Japão e EUA e depois do resto dos países. Com relação ao terceiro pilar, de subsídios à exportação, os europeus querem acabar com a ajuda alimentar de emergência em espécie. Para a UE, é por aí que os EUA dão subsídios disfarçados à exportação, porque compram internamente para dar a ajuda de emergência, que representa 70% do total desse tipo de cooperação.