Título: Estratégia da oposição é assumir erros
Autor: Juliano Basile e Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 26/07/2005, Política, p. A4
Os partidos de oposição ao governo Lula têm preparada uma estratégia para enfrentar o surgimento de novas provas contra seus integrantes na CPI Mista dos Correios. Líderes de PSDB e PFL orientaram parlamentares de suas bancadas a assumir possíveis novas provas sem rodeios ou negativas como forma de estabelecer uma "clara barreira" entre as denúncias de compra de votos e financiamento de campanhas. A ordem é abrir imediatamente o sigilo em caso de aparecer ligações de parlamentares da oposição com doações de campanha por meio das agências de Marcos Valério Fernandes de Souza. A orientação é mostrar como eram feitas as operações em cada caso, de quem vinham as possíveis doações e como foram usadas na campanha. A oposição decidiu, em debate interno, que prefere admitir o crime eleitoral do financiamento por intermédio de caixa 2 ao risco de ser confundida com beneficiário do "mensalão", diz um deputado tucano. Na semana passada, este deputado participou com outro sete parlamentares de uma reunião, no Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte (MG), com o governador Aécio Neves para consolidar essa posição. A expectativa é de que alguns parlamentares da oposição acabem aparecendo nas listas. "Quase todos os parlamentares de Minas se relacionaram com a SMP&B", disse um deputado tucano. Nesse caso, a estratégia da oposição é adotar a postura do deputado Roberto Brant (PFL-MG), que, assim que teve descoberto um saque de R$ 102,8 mil da conta da SMP&B, admitiu ter recebido o dinheiro como uma doação da siderúrgica Usiminas para sua campanha à Prefeitura de Belo Horizonte. A quebra do sigilo bancário da empresas de Marcos Valério já atingiu outros três integrantes da oposição em Minas, além de Brant (PFL): Custódio Mattos, ex-líder tucano na Câmara; Paulo Menicucci, ex-diretor dos Correios e membro da Executiva do PSDB-MG; e Pimenta da Veiga, ex-ministro das Comunicações na gestão Fernando Henrique Cardoso. O deputado Mattos afirmou que um depósito feito em sua conta pela SMP&B em 22 de outubro de 1998 foi usado na campanha do atual senador tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas. "Eu inclusive encontrei as notas fiscais deste recibo", disse ao Valor. O deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), relator da CPI do "Mensalão" e também acusado de receber recursos de Valério, confirmou que os recursos eram da campanha majoritária de Azeredo em 1998. A estratégia começou ontem mesmo a funcionar: Azeredo divulgou nota negando irregularidades. No PFL, a denúncia contra Roberto Brant abalou o partido. "Ele é um dos teóricos do partido, um parlamentar muito ouvido pela cúpula. A denúncia, que foi rapidamente esclarecida, realmente abalou nosso afã", disse um deputado pefelista. Outra fonte na legenda disse que a situação dentro do partido, agora, é de calmaria.