Título: Sayad enfrenta Moreno, que tem o apoio dos EUA
Autor: Janes Rocha e Paulo Braga
Fonte: Valor Econômico, 26/07/2005, Finanças, p. C8
O brasileiro João Sayad e o colombiano Luis Alberto Moreno são os favoritos na corrida pela presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que pode ser definida ainda esta semana. Para vencer a disputa, o candidato tem de ter os votos da maioria absoluta dos 47 países-membros do banco e também a maioria dos que controlam o capital da instituição, explicou José Carlos Miranda, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento e coordenador da campanha de Sayad. O capital do BID é de US$ 101 bilhões, mas a representatividade dos países é estabelecida pela participação no capital subscrito, que é de US$ 8,4 bilhões. O primeiro turno da eleição será amanhã na sede do BID, em Washington. Participam os representantes dos 47 países-membros do banco, em votação aberta. São cinco candidatos à vaga ocupada por Enrique Iglesias há 17 anos: João Sayad, do Brasil, atual vice-presidente da instituição; o embaixador da Colômbia nos EUA, Luis Alberto Moreno; o presidente do Banco Central da Nicarágua, Mario Alonso; o ministro das Finanças do Peru, Pedro Pablo Kuczynski; e o ex-ministro da Fazenda da Venezuela, José Alejandro Rojas. O vencedor será o quarto presidente do BID desde sua fundação em 1959. Antes de Iglesias, ocuparam o cargo o chileno Felipe Herrera (1960-1971) e o mexicano Antonio Ortiz Mena (1971-1987). O colombiano Moreno tem o apoio do maior acionista do BID, os Estados Unidos, que detém 30% do capital subscrito do banco. O Brasil, que tem 10,75% do capital, ganhou nos últimos dias um apoio importante para a candidatura de Sayad: a Argentina, que tem outros 10,75%. O país vizinho demorou, mas terminou declarando apoio à candidatura do brasileiro no final da semana passada. O apoio vinha sendo negociado há mais de um mês pelo governo brasileiro, e o próprio Sayad esteve na semana passada em Buenos Aires para pedir o voto argentino. Mesmo com a visita, Sayad não havia conseguido um compromisso por parte dos argentinos, que só foi obtido após telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao colega argentino, Néstor Kirchner, também na semana passada. O apoio argentino ao candidato brasileiro foi divulgado na sexta-feira pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e confirmado pelo chanceler argentino, Rafael Bielsa. Desta forma, o governo brasileiro conseguiu que os dois países tenham uma posição comum na disputa pela chefia de uma organização internacional, depois de a Argentina ter se negado a apoiar a candidatura do brasileiro Luis Felipe Seixas Corrêa à direção-geral da OMC. Anteriormente, o próprio Kirchner havia dito que a Argentina apresentaria um candidato à presidência do BID, o que despertou temores de que o problema se repetiria, mas o país nunca chegou a postular formalmente nenhum nome. Miranda reconheceu o peso do apoio americano ao colombiano, mas disse que está otimista com o apoio recebido por Sayad dos países latino-americanos (que têm 50% do capital) e europeus (11%). Os apoios, entretanto, não são explícitos e podem não se confirmar nas eleições. Segundo Miranda, a eleição acontece em turnos e a cada turno são eliminados aqueles com menor número de votos. As votações se sucedem até que sobrem os dois mais votados. O coordenador acredita que, pelo número de candidatos, é possível que haja pelo menos cinco turnos e, nesse caso, a eleição pode estar definida até no máximo quinta-feira. Mas o desenrolar do escrutínio pode ser muito mais demorado. "A eleição para o Banco de Desenvolvimento da África, que tinha apenas dois candidatos, teve seu quinto turno há dois meses, agora teve o sexto e o sétimo até haver maioria", exemplificou Miranda. Sayad e Miranda já estiveram em campanha no Canadá e nesta terça-feira o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que é governador do Brasil no BID, estará em Washington para um encontro com o secretário do Tesouro norte-americano, John Snow. Segundo a agência Reuters, Bernardo também vai se encontrar com os governadores do Peru, Alemanha, México, Japão, França e Paraguai em busca de apoio a Sayad.