Título: Alta da taxa Selic favorece carteiras DI
Autor: Selic favorece carteiras DIPor
Fonte: Valor Econômico, 26/10/2004, Investimento, p. C8
Aplicações com estratégia de curto prazo têm o maior volume de captação de recursos no mês e no ano
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de aumentar os juros básicos da economia em 0,5 ponto percentual, para 16,75% ao ano, surpreendeu o mercado e favoreceu o desempenho dos fundos pós-fixados. Dados do site Fortuna indicam que na semana até o dia 21 as carteiras DI se destacaram na renda fixa, com alta de 0,28%. A categoria, no entanto, encerrou o período abaixo da variação do CDI, de 0,30%. As carteiras de renda fixa prefixadas e os fundos curto prazo renderam 0,26% no período. Em termos de captação, contudo, as categorias tomaram rumos opostos. Na semana em que R$ 463 milhões deixaram os fundos de investimento - com saques registrados no varejo de R$ 552 milhões - os fundos curto prazo tiveram captação de R$ 210 milhões. Já as carteiras de renda fixa apresentaram os saques mais expressivos, de R$ 806 milhões, enquanto os DIs perderam R$ 56 milhões. Em 2004, os fundos de privatização têm o melhor desempenho, em alta próxima a 19%, ante avanço de 3,70% do Ibovespa. Em seguida, os multimercados rendem 13,24%, ante alta de 12,65% do CDI. São os fundos de curto prazo, no entanto, que ficam com o maior fluxo de recursos. Do total de R$ 14,859 bilhões recebidos pelo setor de fundos, R$ 7,944 bilhões foram depositados nessa categoria. Para Marcelo D'Agosto, do Fortuna, a captação dos fundos curto prazo no período - ao lado dos saques registrados pelos DIs - indica que o investidor está confuso com o que pode acontecer com os juros nos próximos meses. Além disso, o movimento sinaliza que as indefinições com relação à tributação diferenciada das carteiras de curto prazo ainda não preocupam o investidor. Na semana passada, representantes da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) se reuniram com o governo para reivindicar mudanças no artigo 6º da Medida Provisória 209. O artigo limita a 20% o IR cobrado sobre as aplicações de mais de seis meses em fundos formados por títulos de prazo médio inferior a um ano. Em contrapartida, a MP 206 estabelece IR regressivo para as carteiras com títulos de longo prazo, que pode chegar a 15% para aplicações acima de dois anos. Na renda variável, os fundos de privatização recuperaram parte do fôlego perdido na semana anterior, em alta de 3,38%. Embora R$ 15 milhões tenham deixado o setor entre os dias 14 e 21, essas carteiras continuam com a melhor performance do ano, com valorização de 18,56%. Já os fundos de ações subiram 0,27% na semana, abaixo, porém, da alta de 0,43% registrada pelo Ibovespa. No mês, ainda que a categoria apresente baixa de 1,19%, a captação líquida é de R$ 169 milhões. Os fundos multimercados captam o segundo maior volume da semana, de R$ 166 milhões, para uma rentabilidade média de apenas 0,23% - abaixo do CDI. D'Agosto ressalta que os fundos exclusivos responderam quase que pela totalidade do volume captado. "Os multimercados não exclusivos receberam apenas R$ 3 milhões", diz. As carteiras de previdência mantiveram a tendência sustentada ao longo do ano, com o terceiro maior volume captado na semana, de R$ 125 milhões, e valorização média de 0,24%. Entre as instituições financeiras, o Pactual foi o destaque em sete dias, com R$ 250,9 milhões captados, seguido pelo Citibank (fluxo de R$ 151,5 milhões) e pela Caixa Econômica Federal, com R$ 140,1 milhões. Em outubro, o Banco do Brasil mantém a liderança, com R$ 1,125 bilhão em recursos novos, à frente do BNP Paribas, com captação de R$ 285,9 milhões, e do Pactual, com fluxo de R$ 219 milhões. O BB também é destaque no ano, com entrada de R$ 5,598 bilhões.