Título: Tarso pede relatório a petistas envolvidos nas listas
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 28/07/2005, Especial, p. A12

O presidente do PT, Tarso Genro, que deixa o ministério da Educação na sexta para se dedicar exclusivamente à direção do PT, disse ontem, ao sair do Palácio do Planalto, que vai pedir para todos os petistas que tenham cargo público ou mandato e estejam envolvidos em denúncias que apresentem um relatório com explicações ao partido, inclusive aqueles cujos nomes apareceram na lista dos que receberam dinheiro do publicitário Marcos Valério. Acrescentou ainda que qualquer militante do PT pode, se quiser, fazer uma representação para que qualquer integrante do partido seja ouvido pela Comissão de Ética, e citou o exemplo do ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. "Mas, por enquanto, não há nenhum fato comprovado que nos pareça que a direção tenha que levar alguns de seus quadros para a Comissão de Ética. Agora não há nenhum tipo de protecionismo a ninguém. O partido não vai ficar inerte", afirmou Tarso Genro. Na terça-feira, durante depoimento na CPI dos Correios, a mulher de Marcos Valério, Renilda Santiago, revelou a participação de Dirceu em reuniões nas quais foram discutidos os empréstimos feitos ao PT pelas agências SMP&B e DNA. "Quanto às insinuações em relação ao ex-ministro Dirceu, o depoimento de Renilda é o de uma pessoa que não está comprometida em dizer a verdade e não pode ser muito valorizado como prova. Além disso, Dirceu nega qualquer envolvimento nos fatos". Para pedir o relatório aos envolvidos em denúncias, Genro justificou que, às vezes, com uma explicação, já é possível ver a necessidade ou não da Comissão de Ética. "Mas precisamos tratar disso com parcimônia, sem execução sumária, observando as regras do direito de defesa", afirmou Genro. Tarso Genro rebateu as declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de que o Brasil precisa ser passado a limpo, mas sem perder o foco de que a crise é hoje. "Não podemos ter essa visão foquista do ex-presidente porque pode parecer que ele não quer que se examine a questão da corrupção sistêmica, pode parecer um habeas corpus preventivo no plano da política", ressaltou. "Se é verdade que o PT não tem o monopólio da virtude, também a conduta de alguns militantes do PT não foi o que inaugurou as irregularidades nesse país", referindo às denúncias que o empresário Marcos Valério operou para a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas Gerais em 1998.