Título: Segundo trimestre ainda foi bom
Autor: Francisco Góes
Fonte: Valor Econômico, 28/07/2005, Empresas &, p. B8

A safra de balanços do segundo trimestre das usinas siderúrgicas, que começa hoje, ainda será muito boa, na previsão de analistas do setor, mas as margens lajida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) tenderão a ser menores do que no primeiro trimestre. O motivo é o impacto de altos custos dos insumos (minério de ferro e carvão) e da valorização cambial. Marcelo Aguiar, da Merrill Lynch, em relatório recente, prevê que o ciclo de superlucros, porém, está no fim. Na sua análise, os resultados do setor no terceiro trimestre deverão encolher em relação aos do segundo, e provavelmente também no quarto trimestre, apesar de estas usinas terem gordura para queimar. Isto, por causa da queda de preços do aço no mercado internacional (o preço no terceiro trimestre, no exterior, deverá ser 20% menor que o do segundo trimestre) e no mercado interno por demanda fraca. O analista diz que ainda é cedo para se falar em recuperação, mas há um movimento de corte de produção nos países desenvolvidos que poderá melhorar os fundamentos do mercado e acenar com um crescimento mais sustentado dos preços no ano que vem. Antes disso, porém, acredita que o mercado interno de aço deve piorar. A Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) divulga hoje seu balanço do segundo trimestre. Aguiar prevê lucro pouco abaixo de R$ 600 milhões, devido a problemas em um dos seus alto fornos em junho. O lajida estimado é de R$ 916 milhões. Pedro Galdi, do ABN Amro, prevê lucro de R$ 480 milhões e, Luiz Caetano, da Corretora Brascan, de R$ 763 milhões. A Usiminas deve divulgar balanço na segunda semana de agosto. Aguiar estima um lucro de R$ 972 milhões no segundo trimestre. O lajida ficaria em R$ 1,3 bilhão, segundo o analista. Ele estima uma queda de margem lajida, que poderá situar-se em 45% ante 49,8% no primeiro trimestre, devido as pressões dos elevados custos dos insumos e da retração no mercado doméstico. Galdi estima um lucro de R$ 1 bilhão e lajida de R$ 1,5 bilhão, com margem de 47,5%. Caetano estima um lucro de R$ 985 milhões para Usiminas. A CSN poderá obter um ganho líquido estimado pela Merrill Lynch de R$ 759 milhões e um lajida de R$ 1,3 bilhão, no segundo trimestre, devendo registrar a menor redução de margem do período, que deverá permanecer semelhante a do primeiro trimestre, da ordem de 49%. Isto, segundo Aguiar, porque ela tem minério próprio. A Brascan estima um lucro para a CSN de R$ 655 milhões e o ABN Amro, de R$ 591 milhões. A Gerdau, cujo resultado pode ser conhecido na próxima quarta-feira, poderá apresentar lucro de R$ 231 milhões segundo estimativa da Merrill Lynch e lajida de R$ 1,2 bilhão. Na projeção do ABN Amro o ganho líquido do grupo pode alcançar 680 milhões, lajida R$ 1,2 bilhão e margem de 23,2%. Na expectativa da Brascan, o resultado líquido da Gerdau pode ser de R$ 758 milhões. A Belgo Mineira, como avalia a Brascan, pode ter fechado o trimestre com lucro líquido de R$ 277 milhões e lajida de R$ 647 milhões. Nas projeção da ABN Amro, o ganho líquido poderá ser de R$ 320 milhões e lajida de R$ 630 milhões. A Acesita, segundo Galdi, poderá apresentar lucro líquido no perído de R$ 157 milhões e um lajida de R$ 233 milhões.