Título: IGP-M cai 0,34%, na terceira deflação seguida
Autor: Sergio Lamucci
Fonte: Valor Econômico, 29/07/2005, Brasil, p. A3
O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) fechou julho em queda de 0,34%, registrando deflação pelo terceiro mês consecutivo. As boas notícias vieram principalmente do atacado, tanto nos produtos agrícolas quanto nos industriais, devido ao câmbio valorizado e ao comportamento das commodities. No ano, o índice divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) acumula alta de apenas 1,41%. Para agosto, a expectativa é que o IGP-M mostre um resultado menos favorável, embora haja quem aposte em deflação, como o Unibanco. A aposta dominante é que o indicador vai encerrar o ano com uma variação modesta, talvez até mesmo na casa de 3% . O departamento econômico do Bradesco prevê um IGP-M de 3,03% em 2005, bem abaixo dos 12,4% do ano passado. Como boa parte das tarifas públicas são corrigidas pelos IGPs, a perspectiva para os preços administrados - e para a inflação geral - em 2006 é animadora. O IGP-M havia caído 0,22% em maio e 0,44% em junho. Os mais otimistas esperavam queda de 0,3% em julho, mas os preços no atacado - que respondem por 60% do IGP-M -, surpreenderam, mostrando deflação de 0,65%. Foi um recuo menor que o 1% registrado em junho, mas um desempenho ainda favorável. Segundo o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros, o câmbio valorizado é o principal fator para a deflação de 0,99% acumulada pelo IGP-M de maio a julho. Isso não ocorria desde 2003, quando o indicador registrou queda - de 1,67% -exatamente nos mesmos meses, também em grande parte devido ao dólar barato. Para ele, é provável que esse processo de deflação do IGP-M se encerre em agosto. "O impacto do câmbio deve ser cada vez mais suave daqui para a frente." Mas há quem veja espaço para mais uma queda do indicador, como o economista Maurício Oreng, do Unibanco, que projeta um recuo de 0,08%. Para ele, o câmbio valorizado e o comportamento das commodities devem compensar eventuais pressões sazonais no mês que vem, como as que ocorrem sobre os preços dos alimentos. Nesse cenário, aumentaram as perspectivas de o IGP-M terminar o ano abaixo de 4%, avalia ele. Os analistas do Bradesco apostam num indicador bem inferior a 4% em 2005, de 3,03%. Para eles, a expectativa de um dólar a R$ 2,50 no fim do ano e de queda de 5% do grupo ferro, aço e derivados daqui até o fim do ano embasam a previsão, que foi revisada de 3,39% para 3,03%. Nos 12 meses terminados em julho, o índice subiu 5,38%. Oreng e Quadros apostam num quadro favorável para os preços administrados em 2006, já que boa parte das tarifas públicas, como as de telefonia e energia elétrica, é corrigida pelos IGPs. Para Oreng, isso deve ajudar a conter pressões do IPCA no ano que vem. Os preços agrícolas no atacado recuaram 1,19% e os industriais, 0,48%. A queda do IPA industrial teria sido ainda maior se não fosse o comportamento dos combustíveis, como notam os analistas do Bradesco. Excluindo esses produtos, a queda teria sido de 0,8%. O alívio dos preços do atacado continuou a chegar ao varejo, que também se beneficia do câmbio. O IPC, que responde por 30% do IGP-M, teve alta de 0,12%, mesmo num mês em que há pressões das tarifas, como de telefonia. O grupo alimentação recuou 0,67%. O Índice Nacional dos Custos da Construção (INCC), por sua vez, teve alta de 0,65%.