Título: No limite, Einstein investe em ampliação
Autor: Carolina Mandl
Fonte: Valor Econômico, 29/07/2005, Empresas &, p. B1

Saúde Gasto de R$ 300 milhões para construir três prédios até 2009

O Albert Einstein irá investir cerca de R$ 300 milhões até 2009 para a construção de três edifícios: um hospital para tratamentos de alta complexidade, de um prédio de consultórios médicos e salas cirúrgicos, além de um centro administrativo. Esse projeto ficará no bairro paulistano do Morumbi, ao redor da unidade existente hoje. De acordo com Claudio Luiz Lottenberg, presidente do Einstein, a obra se tornou necessária porque o hospital alcançou no ano passado o nível máximo de capacidade de ocupação de leitos: 85%. Acima desse patamar, especialistas do setor consideram que a esterilização dos quartos pode ficar comprometida. "Estamos no nível limítrofe. Agora, para atender a demanda crescente, só com ampliações", afirma Lottenberg. Depois das obras, o número de leitos do Einstein passará de 460 para 700. O objetivo dessa ampliação também é melhor acomodar as famílias de pacientes, que também passam muito tempo dentro do hospital. Mas, além de ganhar espaço, o Einstein quer focar mais seu atendimento em doenças de alta complexidade, como cardiologia, neurologia e oncologia. Segundo Lottenberg, a epidemiologia aponta que essas enfermidades irão atingir mais pessoas. Além disso, tratamentos de câncer e de doenças neurológicas e do coração têm maior rentabilidade. Mas, de acordo com o presidente do Einstein, o grande obstáculo dessas áreas é o fato de elas dependerem de escala para se tornarem lucrativas. Equipamentos, remédios e médicos para tratar essas patologias também são mais caros. Por isso, com a decisão de criar um hospital só para atender esse tipo de doente, o Einstein espera gerar volume suficiente para rentabilizar os investimentos. De outro lado, a expansão do hospital visa a atender a evolução da medicina. Tecnologias novas e descobertas científicas têm reduzido o tempo de internação dos doentes, que são operados e já deixam o hospital no mesmo dia. "Cada dia mais o paciente tende a ficar longe do hospital", explica Lottenberg. Um dos três prédios que serão construídos abrigará um "day hospital" para atender esse tipo de intervenção, além dos consultórios médicos. Longe do Morumbi, o hospital ainda abrirá novos centros de diagnósticos, além dos já existentes em Alphaville e nos Jardins. O objetivo, além de atender à demanda dos clientes, é diluir custos do laboratório criado para atender os serviços do hospital. A decisão de ampliar a atuação do hospital ganhou força logo depois de o Einstein optar por profissionalizar sua gestão em 2003. José Gustavo Teixeira Leite, ex-diretor-geral da Monsanto, foi chamado para ser o diretor-superintendente, posto equivalente ao de presidente. E Vicente Todaro, que trabalhou na Eletropaulo, foi para o cargo de diretor financeiro. Segundo o Valor apurou com fontes próximas à administração do hospital, Leite defendia a geração de resultados maiores por causa da crise generalizada que atinge o setor de saúde. Para se defender disso, Leite afirmava que o hospital precisava cortar custos e diversificar o atendimento. Em 2004, durante sua gestão, a margem líquida do Einstein subiu de 16,9% para 19%. Sua receita cresceu 20%, para R$ 544,4 milhões. De acordo com pesquisa do Valor Data, o Einstein obteve em 2004 a quarta melhor rentabilidade entre as empresas de serviços médicos. Para Leite, o hospital deveria gerar mais resultados para depender menos da imunidade tributária que goza por ser filantrópico certificada pelo Conselho Nacional de Assistência Social, órgão do Ministério do Desenvolvimento Social. Ao encontrar resistência dentro do hospital para continuar implementando políticas de redução de gastos, o executivo deixou o cargo neste ano, logo depois de Lottenberg pedir demissão do cargo de secretário de Saúde da cidade de São Paulo. Desde então, Lottenberg acumula o cargo de Leite e de presidente. Procurado pelo Valor, Leite não concedeu entrevista. Segundo Lottenberg, a profissionalização do hospital passa por uma fase de ajustes: "Profissionais de mercado às vezes buscam demais o equilíbrio. E como um hospital, temos um compromisso muito grande com a qualidade".