Título: Infra-estrutura foi tema de reunião
Autor: Sergio Leo
Fonte: Valor Econômico, 02/08/2005, Brasil, p. A4
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow, prometeu ao ministro da Fazenda, Antoônio Palocci, estudar com simpatia a proposta brasileira de dar tratamento especial aos investimentos em infra-estrutura na contabilidade feita pelo Fundo Monetário Internacional para avaliar a vulnerabilidade de um país. "É uma boa idéia, algo a ser considerado", disse, ao comentar, em entrevista coletiva, o encontro com Palocci. Snow informou que hoje terá novo encontro com Palocci, no qual pretende detalhar a proposta de criar um novo mecanismo para apoiar investimentos em infra-estrutura no continente. A sua proposta, que ele ressalva ser ainda embrionária, assemelha-se ao projeto de Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), que seleciona obras incluídas em "eixos de integração" no subcontinente, já adotada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com forte engajamento do governo brasileiro. Snow deixou claro, porém, que os EUA poderão criar uma alternativa ao projeto da IIRSA, um dos pilares da proposta brasileira de Comunidade Sul-Americana de Nações. O novo mecanismo a ser criado, para orientar investidores privados na escolha de obras de infra-estrutura em parceria com os governos poderia ser "ligado" a IIRSA, "ou ser independente", afirmou Snow. Ele acredita que o BID seria o melhor veículo para o novo mecanismo, que selecionaria projetos de infra-estrutura segundo sua viabilidade e informaria aos potenciais investidores privados sobre questões fundamentais para as decisões de investimento. Snow afirmou apoiar o interesse do governo brasileiro em investimentos para infra-estrutura e disse que as obras de logística têm grande potencial no Brasil. Ele mostrou haver interesse de firmas americanas de agronegócio, como a ADM e a Cargill, em investir nas hidrovias brasileiras, para melhorar e aumentar a capacidade de transporte de grãos destinados à exportação. "A ADM e a Cargill poderiam atuar mais se o sistema hidroviário for mais eficiente", comentou. "Há oportunidade de modernizar o sistema, criar hidrovias para permitir barcas maiores, baixar custos de transporte e reduzir custo dos exportadores", disse. (SL)