Título: Eletrobrás seguirá o modelo da Petrobras
Autor: Cláudia Schüffner
Fonte: Valor Econômico, 02/08/2005, Empresas &, p. B9
Energia Ex-deputado federal pelo PMDB de Minas Gerais assumiu ontem a presidência da estatal de energia
O novo presidente da Eletrobrás, o ex-deputado federal pelo PMDB mineiro Aloisio Vasconcelos, tem planos de transformar a companhia em uma estatal com presença internacional, a exemplo da Petrobras. Citando o exemplo da estatal de petróleo, Vasconcelos, disse que é "natural que a Eletrobrás cresça para cima" e uma das possibilidades é a internacionalização. Ele explicou que para isso será preciso uma alteração no estatuto da companhia, que ao contrário de suas controladas, Furnas e Chesf, não permite que atue no exterior. "A Eletrobrás é a cara nacional da energia, o braço elétrico do governo. E vamos tentar coordenar suas empresas para fazer um trabalho inteligente lá fora", disse. Para que a Eletrobrás possa atuar em outros países, o governo precisa encaminhar um projeto de Lei ao Congresso, iniciativa que precisa partir do Ministério de Minas e Energia. Entre os alvos da Eletrobrás no exterior, Vasconcelos citou a América Latina, como El Salvador, onde já existe uma aproximação técnica, além do Chile e México, onde a estatal cobiça um projeto de mil MW. Ele também lembrou que já foram assinados acordos com a Coréia do Sul, China e alguns países da África, como Angola. "Podemos atuar em consultoria, projeto de engenharia, execução e montagem ou na operação fechada de usinas", exemplificou. A Eletrobrás vai investir R$ 4,6 bilhões em 2005 e, a exemplo da Petrobras, também começa a discutir um plano estratégico cujo objetivo é definir a visão, os valores e a missão da empresa. Cavalcanti adiantou que a Chesf, Furnas e Eletrosul vão participar dos leilões de linhas de transmissão coordenadas pela holding, e também do leilão de energia nova, marcado para o fim do ano. Já para o leilão de geração nova, ele informou que está sendo formado um grupo interministerial. Em seu discurso de posse ontem, o novo presidente da Eletrobrás fez referências a grandes escritores mineiros como Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, ao maranhense Gonçalves Dias; ao cantor Roberto Carlos e até ao filósofo alemão Martin Heidegger. Em alguns momentos mostrou sua veia política, tendo feito vários referências a Minas Gerais e à Cemig. A posse foi concorrida, tendo a presença de ex-presidentes da estatal, como Firmino Sampaio e Luis Pinguelli Rosa. Dali, alguns executivos do setor elétrico seguiram para a Petrobras, onde discutiram com o ministro Silas Rondeau a inclusão do setor na MP do Bem. Entre as reivindicações, está o diferimento, por 12 anos, do pagamento do Uso do Bem Público (UBP) pelas usinas adquiridas ainda sob o modelo passado. Algumas propostas precisam da apreciação da Fazenda. Segundo Cláudio Sales, da Câmara Brasileira de Investidores em Energia Elétrica (CBIEE), Rondeau se mostrou "mais do que alinhado e receptivo" às propostas encaminhadas.