Título: Empresa dá golpe na Fazenda
Autor: Bancillon, Deco
Fonte: Correio Braziliense, 19/04/2010, Economia, p. 12

Virtual deixa terceirizados que trabalhavam na Pasta sem depósitos do FGTS e sem o auxílio para o transporte e a alimentação

O descaso com trabalhadores e o desrespeito às leis trabalhistas levaram o Ministério da Fazenda a romper o contrato com a empresa Visual Locação de Serviços e Construção Civil, que cuidava da limpeza no órgão até março deste ano. As reclamações eram de que a Visual atrasava salários e gratificações, como o pagamento de vales-transporte e tíquetes-alimentação. Pedindo anonimato, um ex-funcionário denunciou irregularidades no recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para empregados e no pagamento da contribuição patronal à Seguridade Social, que, segundo ele, não têm sido feitos desde o ano passado. O Ministério da Fazenda afirmou, por meio de sua assessoria, que o contrato com a Visual foi rompido ¿amigavelmente¿ por ambas as partes. Informou também que o motivo foi que a empresa não tinha condições financeiras de manter o serviço, o que foi constatado pelos próprios empregados meses atrás. Em 23 de fevereiro deste ano, funcionários terceirizados da Fazenda decidiram cruzar os braços. Eles alegavam que a Visual Locação de Serviços havia interrompido os pagamentos dos auxílios para o transporte e a alimentação, deixando o ônus dos custos a cargo dos trabalhadores. A situação foi tão grave que funcionários chegaram a afirmar que tiveram de fazer faxina em residências no fim de semana para conseguir levantar o dinheiro do transporte na segunda-feira. À época, o gerente comercial da empresa, Wanderley Júnior, defendeu a Visual. Segundo afirmou à Agência Brasil, o pagamento dos benefícios havia sido interrompido por falta de recursos do próprio Ministério da Fazenda. Segundo ele, um problema no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) impediu que o depósito caísse na conta da empresa. A explicação foi confirmada pela Fazenda. Daí para a frente, disseram os funcionários, a empresa continuou tendo sérios problemas financeiros, atrasando salários e interrompendo o pagamento dos vales-transporte e alimentação. O contrato com o ministério para pelo menos uma categoria de servidores, a das secretárias e secretários, foi encerrado em 31 de março. Os profissionais da limpeza, entretanto, ainda estão sob o comando da Visual.

Rearranjo

Um novo contrato para as secretárias e secretários foi firmado em 1º de abril, pela Delta Locação de Serviços e Empreendimentos. Ainda assim, os 260 funcionários da categoria lotados na Fazenda reclamam da antiga empresa, a ponto de o Sindicato das Secretárias e Secretários do DF (SIS-DF) ter acionado a Visual judicialmente. Uma audiência entre as duas partes está marcada para hoje na Procuradoria Regional do Trabalho do DF (PRT). ¿A Visual foi intimada. A empresa terá que explicar todas essas questões, como os atrasos de salários e de vales-transporte e alimentação, além da falta de recolhimento do FGTS e do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social)¿, disse Márcia Ribeiro, diretora do SIS-DF. Além dela, também a presidenta do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Serviços (Sindiserviços-DF), Maria Isabel Caetano, disparou críticas à antiga empresa. ¿Temos problemas sérios contra a Visual. Praticamente, todos os dias vem um aqui reclamar da empresa¿, afirmou. Ela ressaltou já ter tentado acionar a Visual juridicamente em outras ocasiões, sempre sem sucesso. A empresa, acrescentou ela, sempre conseguiu reverter as acusações, fornecendo documentos que atestam o pagamento dos benefícios. O Correio entrou em contato com a Visual durante toda a última sexta-feira. Obteve retorno uma vez, de um homem que disse se chamar Élder. Ele rebateu todas as críticas e assegurou cumprir todos os contratos fielmente. Também revelou desconhecer a audiência da próxima semana, na Procuradoria Regional do Trabalho. ¿Não estou sabendo disso¿, ele disse. Élder sugeriu, ainda, que nenhuma denúncia contra a empresa fosse adiante. ¿Para quê isso agora? O contrato (com o ministério) já foi encerrado. Não tem motivo.¿ Apesar da negativa do representante da Visual, a audiência contra a empresa na Procuradoria do Trabalho está confirmada para esta segunda-feira. Será mediada pela procuradora Ana Cláudia, segundo informou a Procuradoria.