Título: Teles pedem regulação de voz sobre IP
Autor: Talita Moreira e Taís Fuoco
Fonte: Valor Econômico, 26/10/2004, Empresas, p. B-3
As concessionárias de telefonia fixa começam a sentir (e temer) os efeitos da concorrência dos serviços de voz sobre protocolo de internet (IP) e pedem ação da Anatel para regulamentar a tecnologia. "A capacidade de investimento das operadoras está em risco", afirmou ontem a presidente da Brasil Telecom (BrT), Carla Cico, em apresentação na Futurecom. A executiva afirmou que a BrT já está sentindo o impacto da nova tecnologia nos serviços de longa distancia. No entanto, ela não especificou em que profundidade isso está acontecendo. Voz sobre IP é a tecnologia que permite o tráfego de voz como um pacote de dados (como um e-mail sonoro). Isso significa que empresas sem rede própria podem prestar serviços de telefonia, o que abre um inédito espaço para a competição no setor. A primeira a soar o alarme foi a Embratel. Ao divulgar o balanço do terceiro trimestre, na semana passada, a operadora estimou em 30% a 39% a participação de provedores "legais e ilegais" no segmento de longa distância internacional. A operadora está perdendo participação nesse mercado. Ontem, o presidente da Embratel, Carlos Henrique Moreira, disse não ter esperança de que o uso irregular da voz sobre IP acabe no curto prazo. "Como a oferta desses serviços envolve preços muito mais baixos, as leis de mercado acabam sendo mais fortes, fica difícil controlar", ressaltou. Para o executivo, a Anatel não dispõe de instrumentos para coibir a prática. Para a presidente da BrT, a Anatel precisa se posicionar a respeito do assunto. Ela defendeu que as prestadoras de serviços de voz sobre IP paguem tarifas de interconexão (uso da rede de outras empresas), sejam submetidas a metas de qualidade e paguem impostos como as demais operadoras. O presidente da Telefônica, Fernando Xavier, afirmou que a discussão em torno da voz sobre IP tem de levar em conta de que forma as concessionárias serão remuneradas pelo uso de sua rede por prestadoras de serviços que usarem a nova tecnologia. O presidente do conselho de administração da Telemar, Octávio Azevedo, também afirmou que pode haver risco aos investimentos tradicionais se o modelo de competição nesse novo cenário não for bem planejado. Azevedo disse que a Telemar ainda não sentiu o impacto dos serviços de voz sobre IP porque a empresa ainda está crescendo no mercado de longa distancia. Mas a avaliação dele é de que o impacto nos próximos anos será proporcional ao aumento do número de computadores no país. No entanto, para Azevedo, há questões mais fundamentais a serem resolvidas no curto prazo. Para ele, a Anatel deveria rever as exigências de universalização dos serviços de telefonia, porque em alguns casos impõem perdas às operadoras. Segundo Azevedo, a Telemar investiu US$ 100 milhões nos últimos anos em áreas onde tem, no máximo, dez assinantes. No total, a operadora tem 5.138 clientes no conjunto dessas localidades. Representantes da Anatel não foram localizados para comentar o assunto até o fechamento desta edição. (*Do Valor Online)