Título: Para Mantega e Delfim, a redução de títulos de curto prazo facilita ajuste fiscal
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 04/08/2005, Brasil, p. A4

Em almoço onde o cardápio foi "déficit nominal zero", o deputado Delfim Netto e a direção do BNDES concordaram que a proposta de déficit nominal zero levaria a uma queda mais rápida do juro se o ajuste fiscal fosse articulado com uma estruturação da dívida pública interna. Essa estruturação implicaria diminuição dos títulos de curto prazo, dando mais potência à política monetária, ou seja, baixar a inflação com menos juro, como contou Guido Mantega, presidente do banco. Para Mantega, a economia brasileira "está prestes a explodir", no bom sentido, ou seja, crescer a taxas elevadas e sustentadas, e o banco quer ser um impulsionador de investimentos nesse ciclo de retomada. "Não queremos mudar a política econômica, mas ajudar a aperfeiçoa-la para para dar passos mais rápidos para acelerar o crescimento", destacou Mantega. Antonio Barros de Castro, diretor de planejamento da instituição de fomento, enfatizou que a posição da atual diretoria do banco é de que o país está virando uma fase de quase estagnação para uma de crescimento sustentado de longo prazo com uma taxa de crescimento a discutir. E nessa conjuntura, as missões do banco mudam completamente. "O banco quer ser um ativo mecanismo de aceleração do crescimento via investimento e, por que tem essa missão na embocadura desse novo ciclo, é que está interessado em discutir com Delfim Netto e outros formuladores para diagnosticar para onde tende a política macroeconômica." Para Castro, a virada para o crescimento não está garantida, e, por essa razão, é grande a necessidade do debate sobre o vigor dos impulsos expansivos da atividade econômica, "contidos hoje pela taxa de juro estratosférica e pelo câmbio punitivo". Nesse contexto , realçou, crescer entre 3% e 3,5% é uma ótima taxa de crescimento. "Estamos com uma excelente performance, dadas as travas (juro e câmbio)", ressaltou. Segundo ele, o que o BNDES está estudando são as origens dessa impulsão produtiva para poder liberá-la e alavancá-la, "transformando esse impulso num crescimento vigoroso". A idéia do banco é participar ativamente da discussão iniciada por Delfim, pela CNI e pela Fiesp. O presidente Mantega informou que, na semana que vem, haverá uma rodada de discussão com economistas formuladores de política. Na outra semana, depois desse debate, a direção vai promover um encontro entre sindicalistas e entidades empresariais ligadas à produção para discutir as questões macroeconômicas ligadas ao déficit nominal zero e aos investimentos. A meta desses encontros é "provocar o apetite privado pelo investimento, e para esse propósito estamos discutindo uma série de mudanças no banco, que serão anunciadas nos próximos meses", adiantou Castro. O debate deverá girar em torno do combate à inflação e redução de juro e crescimento acima de 3,5%. "Toda discussão caminha nessa direção. Queremos ouvir as propostas dessas entidades para a gente avançar em propostas de consenso para crescer mais", explicou Mantega. Ele deixou claro que a posição do BNDES não embute divergência ideológica com a política do ministro Palocci, "da qual fazemos parte", asseverou. Também será lançada na próxima terça-feira o boletim econômico do BNDES, que agora se chamará "Sinopse do Investimento" e não mais "Sinopse Econômica", com informações sobre investimento.