Título: Dívida pública cresce para 50,9% do PIB
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 01/08/2005, Brasil, p. A3

O reconhecimento de esqueletos, a deflação e o baixo crescimento da economia provocaram aumento na dívida líquida do setor público, que chegou a 50,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo números divulgados pelo Banco Central. O superávit primário seguiu batendo recordes, atingindo 5,08% do PIB nos 12 meses encerrados em junho. Em maio, a dívida líquida do setor público foi inicialmente calculada em 50,3% do PIB. Mas a autoridade monetária reviu em julho a série estatística desde o início do ano, em virtude da divulgação de um PIB nominal menor do que o previsto para o primeiro trimestre. Esse fator, isoladamente, fez com que a dívida em maio fosse recalculada pelo BC em 50,6% do PIB. A dívida cresceu também por razões puramente econômicas. Entre maio e junho, houve avanço de mais 0,3 pontos porcentuais do débito, em virtude, principalmente, da deflação do IGP-DI (0,45%), que é usado na valorização do PIB, e do reconhecimento de esqueletos, sobretudo de fundos constitucionais. O superávit primário do setor público somou R$ 9,623 bilhões em junho, o mais elevado para esse mês na série estatística do BC. O destaque foi o governo federal, com um saldo de R$ 9,168 bilhões, mas também registraram resultados positivos os Estados (R$ 1,433 bilhão), os municípios (R$ 266 milhões) e as empresas estatais (R$ 1,864 bilhão). O INSS manteve o histórico de déficits, com um resultado negativo de R$ 3,147 bilhões. O superávit acumulado no primeiro semestre chegou ao recorde de R$ 59,950 bilhões, o que representa 71,5% da meta de R$ 83,850 bilhões fixada pelo governo para o ano. O saldo acumulado nos 12 meses encerrados em junho, de 5,08% do PIB (R$ 94,849 bilhões), está acima da trajetória para cumprir a meta de 4,25% do ano. Os superávits primários recordes não tem sido capazes, porém, de cobrir a crescente despesa de juros da dívida pública. Em junho, esse gasto somou R$ 15,234 bilhões. O gasto com encargos da dívida vem crescendo em virtude do aperto na política monetária. A Selic média nos 12 meses encerradas em junho chegou a 17,7% ao ano, ante 17,29% um mês antes. "Com a redução da dívida pública indexada ao dólar, aumenta a sensibilidade da dívida às variações da taxa de juros", explica o chefe do departamento econômico do BC, Altamir Lopes.