Título: Frota antiga já tem propostas de compra
Autor: Daniel Rittner
Fonte: Valor Econômico, 08/08/2005, Brasil, p. A2

O Comando da Aeronáutica já recebeu três propostas de compra dos 16 aviões Mirage IIIE-BR. Eles serão desativados de forma conjunta em 31 de dezembro deste ano e terão pouca capacidade de combate depois disso. A FAB acredita que a célula (fuselagem) de seis a oito caças ainda tem algum período de vida útil, após um processo de reforma. É difícil calcular o valor de mercado de um produto sucateado, mas estimativas preliminares indicam que a venda dos velhos caças pode render mais de US$ 15 milhões e quem sabe até chegar a US$ 20 milhões. Um dos interessados é a Força Aérea do Paquistão, que possui mais de 100 aviões do mesmo modelo. Outras duas sondagens partiram da França, mas os militares evitam dar detalhes. Uma delas seria da Sofema, empresa com participação acionária da Dassault (fabricante dos próprios Mirage) e da EADS France. Pode parecer estranho que um dos países mais ricos da Europa e uma nação em constante ameaça de guerra com a Índia queiram comprar ferro-velho, mas faz sentido. No caso do Paquistão, os caças podem ser "canibalizados" - desmontados aos poucos para que suas peças sejam usadas na manutenção dos aviões em melhor estado de conservação. No caso dos franceses, o interesse pode estar em reciclar os antigos aviões da FAB para vendê-los em seguida a algum país africano, latino-americano ou asiático. Mas tudo isso são especulações militares. Embora a negociação esteja em estágio preliminar, brigadeiros influentes no Comando da Aeronáutica defendem o negócio com os franceses, propondo uma espécie de "troca": a FAB receberia todo o pagamento em armamentos fabricados pela Dassault, para equipar os Mirage 2000-C que chegarão a partir de 2006, sem qualquer desembolso de lado a lado. O temor da Aeronáutica é de que, no caso de pagamento em dinheiro, os recursos sejam destinados ao Tesouro e depois haja dificuldade de conseguir o mesmo volume de verbas para a compra de armamentos. Após a compra dos caças usados, que será paga até 2010, a FAB começará a negociar a aquisição de armas. (DR)