Título: FAB receberá quatro novos caças em 2006
Autor: Daniel Rittner
Fonte: Valor Econômico, 08/08/2005, Brasil, p. A2
Defesa Primeiro lote de aviões Mirage 2000-C comprados da França deve estrear no desfile de 7 de Setembro
As comemorações ainda estão longe, mas são aguardadas com ansiedade pelos militares. Em 7 de setembro de 2006, no tradicional desfile de aniversário do Dia da Independência, uma surpresa aparecerá logo atrás da Esquadrilha da Fumaça: o primeiro lote, de quatro dos 12 caças recém-comprados pelo governo na França, rasgará os céus de Brasília para se incorporar à frota da Força Aérea Brasileira (FAB). Adquiridos há menos de um mês, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Paris, os aviões Mirage 2000-C usados são uma espécie de solução "meia-sola" para a necessidade da Aeronáutica de defender o território nacional após a desativação, prevista para o fim do ano, dos 16 caças Mirage IIIE-BR, que protegem o país desde 1973. Os caças comprados pelo presidente Lula custaram US$ 80 milhões, incluindo suprimentos e treinamento, que serão pagos em seis parcelas anuais, até 2010. Chegarão em três lotes de quatro unidades: o primeiro em 2006, o segundo em 2007 e o último em 2008. Inicialmente, acreditava-se que os primeiros aviões estariam no Brasil apenas em dezembro do ano que vem, mas a França já sinalizou que fará a entrega em setembro. "Essa aquisição concilia da melhor forma a necessidade da FAB com a disponibilidade de recursos liberados pela área econômica", afirma Flávio Bierrenbach, ministro do Superior Tribunal Militar (STM) e especialista em aviação. Antes de iniciar o pagamento aos franceses, o governo brasileiro precisa aprovar o acordo de compra no Congresso. Para os militares, trata-se de um negócio que se paga automaticamente, em pouco mais de dez anos. Eles explicam. Os caducos Mirage IIIE-BR (F-103) têm manutenção cara. As inspeções preventivas, feitas a cada 75 horas de vôo, ficaram mais complexas por causa da idade avançada. Tudo isso chega a custar US$ 15 milhões por ano. As despesas com manutenção dos caças Mirage 2000-C serão uns 50% menores, o que significará uma economia anual de pelo menos US$ 7,5 milhões. "Não abrimos mão de dar continuidade ao FX, mas é preciso deixar claro que não compramos ferro-velho", argumenta o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno. Projeto FX é como ficou conhecido o plano do governo de gastar cerca de US$ 700 milhões com a aquisição de 8 a 12 aeronaves, por meio de licitação internacional. Adiada várias vezes, a compra foi suspensa indefinidamente em fevereiro. Os militares estão empenhados em desfazer a imagem de que o produto negociado com a França é sucata. O projeto do Mirage 2000-C, que no Brasil deverá ser batizado de F-200, é de 1984 e está duas gerações abaixo do que existe de mais moderno hoje em dia. É um modelo operado pelas Forças Armadas de dez países e participou das guerras do Golfo e do Afeganistão, mas o governo comprou aviões usados em vez de adquirir caças novos. A Aeronáutica diz que os Mirage 2000-C têm vida útil até 2025 e são suficientes para dar ao Brasil o status de país com os melhores caças da América do Sul. Há quem diga, no entanto, que o negócio não é tão bom quanto parece. Uma solução temporária tinha como alternativas um lote maior de caças americanos e uma proposta de 12 aviões usados Sukhoi-27, por US$ 146 milhões, que têm maior capacidade de alcance e já vinham com armamentos modernos. "A FAB optou por caças lanterninhas", opina um concorrente dos franceses, que prefere o anonimato. O pacote de armas para equipar os Mirage 2000-C recém-comprados pelo Brasil será negociado em uma segunda etapa. A incorporação dos desejados mísseis BVR Mica pode ficar muito cara e torna viáveis opções mais simples. Os caças também não têm datalink, um sistema de transferência de dados que permite às aeronaves de uma mesma frota "conversar" entre si.